Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo após avanço de impeachment
Dirigente afastado é acusado de vender atletas abaixo do valor de mercado e de uso irregular de camarote no Morumbis
Vicklin Moraes
O ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, anunciou nesta quarta-feira (21) sua renúncia ao cargo. Ele é alvo de acusações relacionadas à venda de atletas por valores abaixo do mercado e ao uso irregular de camarotes no estádio Morumbis.
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Em nota, o agora ex-presidente afirmou que a crise comprometeu a governança do clube e extrapolou o ambiente institucional, atingindo sua família e sua vida pessoal. Ele disse ainda que optou por não renunciar antes para exercer plenamente o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Casares declarou que enfrentou o processo de forma direta e presencial, mas avaliou que o ambiente já estava contaminado por “narrativas previamente construídas”, o que, segundo ele, inviabilizou a continuidade de sua permanência no cargo.
O ex-dirigente está no centro de uma das maiores crises da história recente do clube, que envolve diversas acusações contra sua gestão. Entre elas estão acordos considerados atípicos nas finanças do São Paulo, movimentações suspeitas em sua conta pessoal e um escândalo envolvendo a comercialização irregular de camarotes no Morumbis.
O processo de impeachment havia sido aprovado por 188 votos a favor. Pela regra estatutária, em até 30 dias, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, deveria convocar uma Assembleia Geral de Sócios para ratificar o afastamento definitivo — etapa que perde efeito com a renúncia.
Escândalo dos camarotes no Morumbis
Camarote no Morumbis | Foto: reprodução
Em dezembro de 2025, o portal ge.com divulgou áudios que indicariam um esquema de comercialização clandestina de camarotes no Morumbis durante eventos, incluindo o show da cantora Shakira.
Nas gravações, Douglas Schwartzmann e Mara Casares teriam admitido favorecimentos e obtenção de lucros pessoais com a venda irregular dos espaços VIP do clube. Ambos pediram licença de seus cargos após a divulgação do material.
O Ministério Público de São Paulo requisitou a abertura de inquérito para investigar o caso. Internamente, o São Paulo instaurou duas sindicâncias, uma interna e outra externa, com auditoria independente.
Movimentações financeiras sob investigação
Relatórios financeiros obtidos pelo UOL e confirmados pelo SBT News indicam que Júlio Casares recebeu cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro diretamente em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já exercia a presidência do clube.
Os valores teriam sido depositados de forma fracionada, prática conhecida como smurfing, usada para evitar alertas automáticos em sistemas de controle financeiro. Segundo os documentos, o montante representa quase metade da renda declarada por Casares no período e supera com folga a remuneração oficial do cargo, estimada em cerca de R$ 27 mil mensais.
Além disso, os relatórios apontam 35 saques em espécie realizados a partir de contas do São Paulo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam aproximadamente R$ 11 milhões. Investigadores avaliam que esse tipo de operação foge aos padrões de governança esperados para uma instituição esportiva de grande porte.
Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo após avanço de impeachmentDirigente afastado é acusado de vender atletas abaixo do valor de mercado e de uso irregular de camarote no MorumbisBrasil2026-01-21T20:31:59.499ZO ex-presidente do São Paulo Futebol Clube, Julio Casares, anunciou nesta quarta-feira (21) sua renúncia ao cargo. Ele é alvo de acusações relacionadas à venda de atletas por valores abaixo do mercado e ao uso irregular de camarotes no estádio Morumbis. Na sexta-feira (16), em sessão realizada no próprio estádio. A decisão manteve Casares afastado enquanto o caso avançava nas instâncias internas do São Paulo. Em nota, o agora ex-presidente afirmou que a crise comprometeu a governança do clube e extrapolou o ambiente institucional, atingindo sua família e sua vida pessoal. Ele disse ainda que optou por não renunciar antes para exercer plenamente o direito à ampla defesa e ao contraditório. Casares declarou que enfrentou o processo de forma direta e presencial, mas avaliou que o ambiente já estava contaminado por “narrativas previamente construídas”, o que, segundo ele, inviabilizou a continuidade de sua permanência no cargo. Fontes ouvidas pelo O ex-dirigente está no centro de uma das maiores crises da história recente do clube, que envolve diversas acusações contra sua gestão. Entre elas estão acordos considerados atípicos nas finanças do São Paulo, movimentações suspeitas em sua conta pessoal e um escândalo envolvendo a comercialização irregular de camarotes no Morumbis. Nesta quarta-feira (21),. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na capital paulista contra três pessoas. O processo de impeachment havia sido aprovado por 188 votos a favor. Pela regra estatutária, em até 30 dias, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, deveria convocar uma Assembleia Geral de Sócios para ratificar o afastamento definitivo — etapa que perde efeito com a renúncia. Escândalo dos camarotes no Morumbis Em dezembro de 2025, o portal ge.com divulgou áudios que indicariam um esquema de comercialização clandestina de camarotes no Morumbis durante eventos, incluindo o show da cantora Shakira. Nas gravações, Douglas Schwartzmann e Mara Casares teriam admitido favorecimentos e obtenção de lucros pessoais com a venda irregular dos espaços VIP do clube. Ambos pediram licença de seus cargos após a divulgação do material. O Ministério Público de São Paulo requisitou a abertura de inquérito para investigar o caso. Internamente, o São Paulo instaurou duas sindicâncias, uma interna e outra externa, com auditoria independente. Movimentações financeiras sob investigação Relatórios financeiros obtidos pelo UOL e confirmados pelo SBT News indicam que Júlio Casares recebeu cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro diretamente em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já exercia a presidência do clube. Os valores teriam sido depositados de forma fracionada, prática conhecida como smurfing, usada para evitar alertas automáticos em sistemas de controle financeiro. Segundo os documentos, o montante representa quase metade da renda declarada por Casares no período e supera com folga a remuneração oficial do cargo, estimada em cerca de R$ 27 mil mensais. Além disso, os relatórios apontam 35 saques em espécie realizados a partir de contas do São Paulo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam aproximadamente R$ 11 milhões. Investigadores avaliam que esse tipo de operação foge aos padrões de governança esperados para uma instituição esportiva de grande porte. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/julio-casares-renuncia-a-presidencia-do-sao-paulo-apos-avanco-de-impeachment
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