Política

Lula e Janja cobram responsabilização de Bolsonaro e ministros por mortes da covid-19

Ao sancionar data em memória das vítimas, primeira-dama comparou desinformação na pandemia com o caso Ypê: "Até quando vamos ver gente bebendo detergente?"

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Victor Schneider
11/05/2026, 21:05 • Atualizado em 12/05/2026, 18:27
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Lula e Janja durante evento sobre a covid | Reprodução/YouTube

Lula e Janja durante evento sobre a covid | Reprodução/YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja cobraram nesta segunda-feira (11) que ministros do governo Jair Bolsonaro, incluindo o ex-presidente, sejam responsabilizados por não terem tomado ações de prevenção e controle adequadas para a covid-19, que matou mais de 700 mil pessoas no Brasil. A declaração foi feita durante evento que instituiu o dia 12 de março como marco em memória das vítimas da doença – a primeira foi registrada nesta data, em 2020, em São Paulo.

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Ao recordar declarações de Bolsonaro no período, Lula criticou o ex-presidente por incentivar o uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da covid, como a cloroquina, e trocar constantemente ministros da Saúde sem uma direção clara de combate à pandemia. A pasta foi ocupada por quatro nomes no período: Luiz Henrique Mandetta (janeiro de 2019 a abril de 2020); Nelson Teich (abril a maio de 2020); general Eduardo Pazuello (setembro de 2020 a março de 2021); e Marcelo Queiroga (março de 2021 a dezembro de 2022).

O presidente definiu Pazuello, chefe da pasta no período de pico de mortes diárias na pandemia, como um “general totalmente desinformado e ignorante". Depois de deixar o governo, Pazuello concorreu a deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro e terminou como o segundo mais votado do estado, com 205 mil votos.

“Quem é que lembra o nome dos ministros? Quem se lembra do primeiro? Do segundo? O terceiro você lembra porque era um general totalmente desinformado e ignorante, e fazia questão de ser assim porque achava que o que iria elegê-lo era a ignorância. Então se a gente não der nome aos bois, esses cidadãos vão transitar pelas ruas como se fossem seres humanos que tivessem o mínimo de sentimento”, afirmou o presidente.

Lula também questionou a razão pela qual entidades não moveram processos por crimes contra a humanidade mirando integrantes do governo Bolsonaro nem punido médicos que recomendaram tratamentos sem respaldo. Para Lula, uma condução diferente da crise sanitária poderia ter salvado até 400 mil vidas, e por isso seria preciso expor o que ocorreu no período e ter uma data anual para relembrá-lo. “Se a gente não faz isso, cai no esquecimento e é tudo o que eles desejam.”

O SBT News procurou o general Eduardo Pazuello para comentar a declaração, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

O projeto que cria o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid 19 foi aprovado em em abril no Senado. O texto é de autoria do deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder do PT na Câmara.

Lula aproveitou para lançar uma cartilha produzida pelo Ministério da Saúde com teor crítico à gestão da pandemia por Bolsonaro. Os capítulos incluem comentários do ex-presidente sobre supostos perigos da vacinação, incluindo em crianças. O petista incentivou que o documento esteja em posse da militância como arma contra candidatos bolsonaristas nas eleições.

Janja

Em discurso antes do marido, Janja também cobrou a responsabilização de autoridades do último governo. A primeira-dama se emocionou ao lembrar da morte da mãe, Vani Terezinha Ferreira, vítima da doença em outubro de 2020 enquanto convivia com o diagnóstico de Mal de Alzheimer.

“Ainda falta um pedacinho dessa ponta que é a justiça. Ver pessoas que ajudaram esse quadro estarem andando livremente pelo país, inclusive eleitos, me causa muita revolta. E deveria causar muito mais indignação na sociedade brasileira”, afirmou.

A primeira-dama também comentou sobre a polêmica envolvendo o uso de produtos da marca Ypê. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou risco sanitário por contaminação bacteriana em lotes com numeração final 1, incluindo detergentes e sabões líquidos, e recomendou a consumidores que evitem o uso.

Porém, a questão foi politizada, com movimentos ligados ao bolsonarismo dizendo se tratar de uma campanha para difamar a empresa – cuja família controladora fez doações para a campanha do ex-presidente, em 2022. Registros nas redes mostram usuários lavando o rosto, tomando banho e mesmo o que aparenta ser ingerindo produtos da Ypê.

A primeira-dama fez um paralelo sobre a desinformação propagada na pandemia com o momento atual. “Até quando a gente vai ver gente bebendo detergente contaminado? É muita ignorância”, lamentou Janja.

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