Política

Lula diz que "Maduro é problema da Venezuela, não do Brasil": "Que cuidem do povo com dignidade"

"A gente tem que ter muito cuidado quando a gente vai tratar de outros países e de outros presidentes", declarou chefe do Executivo

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SBT News
11/11/2024, 10:34 • Atualizado em 11/11/2024, 10:42
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Lula em entrevista à RedeTV! | Reprodução

Lula em entrevista à RedeTV! | Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista veiculada nesse domingo (10), que "Maduro é problema da Venezuela, não do Brasil". "Eu vou cuidar do Brasil, o Maduro cuida dele, o povo venezuelano cuida do Maduro, e eu cuido do Brasil. E vamos seguir em frente", completou.

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O chefe do Executivo rompeu silêncio sobre relação estremecida entre os dois países em conversa com os senadores Jorge Kajuru (PSB-GO) e Leila Barros (PDT-DF) gravada pela RedeTV! na última quarta (6) e exibida na íntegra ontem.

"Eu aprendi que a gente tem que ter muito cuidado quando a gente vai tratar de outros países e de outros presidentes. Eu acho que o Maduro é um problema da Venezuela, não é um problema do Brasil", disse o petista. "Eu quero que a Venezuela viva bem, que eles cuidem do povo com dignidade".

Lula ainda declarou que ele não pode "ficar me preocupando" com esse tipo de ruído diplomático. "Ora brigar com a Nicarágua, ora brigar com a Venezuela, ora brigar com não sei com quem. Tenho é que tentar brigar para fazer esse país dar certo", continuou.

Sobre as eleições presidenciais na Venezuela, que terminaram com Nicolás Maduro reeleito em resultado questionado pela oposição e por outros países e órgãos internacionais, Lula afirmou que o Brasil acompanhou o processo eleitoral e pediu transparência na apuração.

"E, no dia que terminou [sic] as eleições, o meu ministro, que era meu enviado lá, Celso Amorim, perguntou pro Maduro se ele poderia mostrar as atas da votação. Perguntou pra ele e perguntou pro candidato da oposição [Edmundo González Urrutia]. Os dois disseram que iriam mostrar. A verdade é que os dois não mostraram", justificou. O Brasil não reconheceu a vitória de Maduro.

"Nós fizemos uma nota, junto com Colômbia, dizendo da nossa inquietação de você não ter uma prova do resultado eleitoral. Ele deveria ter mandado a nota para o Conselho Nacional Eleitoral, que foi criado por ele próprio, que tinha dois membros da oposição e três do governo. Ele não mostrou. Foi direto pra Suprema Corte", relembrou Lula.

"Não tenho o direito de ficar questionando Suprema Corte de outro país, porque eu não quero que nenhum outro país questione a minha Suprema Corte", disse ainda o petista.

Tensões entre Brasil e Venezuela

Apesar do histórico amistoso entre Lula e Maduro — o presidente venezuelano foi recebido como chefe de Estado em 2023 —, as relações se estremeceram ao longo de 2024, mesmo antes das eleições.

Quando a líder da oposição, María Corina Machado, foi impedida de disputar, o Itamaraty emitiu nota dizendo acompanhar o pleito com "preocupação". A Venezuela reclamou do posicionamento brasileiro.

Pouco antes das eleições, Maduro disse, sem citar provas, que as eleições no Brasil não são auditadas, em acusação rebatida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Novas crises ocorreram em outubro, quando o Brasil vetou entrada da Venezuela no Brics. O país de Maduro classificou a posição brasileira como "agressão inexplicável". O assessor de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, declarou que "houve uma quebra de confiança" entre os países sobre eleição no país vizinho.

A Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela chegou a publicar uma imagem com bandeira do Brasil, referência a Lula e mensagem em tom ameaçador: "Quem mexe com a Venezuela se dá mal". Depois, o post foi apagado.

A Venezuela ainda convocou de volta o embaixador Manuel Vadell. Decisão costuma significar descontentamento e indica que um governo não se enxerga como bem-vindo em outro território.

Em nota, Itamaraty relatou ver com "surpresa o tom ofensivo adotado por manifestações de autoridades venezuelanas em relação ao Brasil e aos seus símbolos nacionais". Novamente, governo da Venezuela repudiou o que chamou de "agressão" do Brasil a Maduro.

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