Cidades

Mortes por metanol: polícia apreende bebidas alcoólicas em bar de bairro nobre de SP

Estado registra três mortes por suspeita de consumo de bebidas alcoólicas "batizadas" com a substância

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Vinícius Rangel
29/09/2025, 22:55 • Atualizado em 30/09/2025, 04:27
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O estado de São Paulo já registra três mortes por suspeita de consumo de bebidas alcoólicas "batizadas" com metanol. Na tarde desta segunda-feira (29), um bar nos Jardins, bairro nobre da capital paulista, foi alvo de fiscalização da vigilância sanitária.

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Policiais civis e integrantes do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo ouviram funcionários, fiscalizaram as dependências do bar e apreenderam garrafas de bebidas alcoólicas.

No bar, uma mulher de 43 anos consumiu três caipirinhas, em uma comemoração de aniversário, passou pela UTI, chegou a ter convulsões e precisou ser entubada. Ela permanece internada, sem enxergar, por suspeita de intoxicação com metanol.

São, no total, cinco pessoas internadas pela mesma razão, segundo a prefeitura da capital paulista. Uma delas é Weslley, irmão de Sheily -- que consumiu whisky em uma festa.

"Ele ficou em coma, depois os médicos tentaram voltar ele do coma, e ele sofreu um AVC, e nesse AVC foi diagnosticado que ele perdeu a visão, ele não iria falar, ia perder os movimentos, mas agora ele já esta falando, já fechou a traqueostomia, só que a perda da visão ainda está irreparável", conta Sheily Neves.

A prefeitura de São Paulo também confirmou uma morte por suspeita de intoxicação com metanol. A vítima é um homem de 54 anos.

Já em São Bernardo do Campo, na região metropolitana, são mais duas mortes, homens de 58 e 45 anos.

A Anvisa informou que o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária é descentralizado, prevendo níveis de ação da União, dos estados e municípios, e que, neste momento, os casos estão sendo acompanhados pelas autoridades locais de saúde. Lembrou também que as bebidas alcoólicas são sujeitas a registro no Ministério da Agricultura.

"Essas pessoas compram tonéis de álcool etilico, compram tonéis de cerveja, tonéis de whisky, de destilados de baixíssima qualidade, e envazam esses produtos em garrafas de marcas líderes de mercado", afirma Rodolpho Ramazzini, diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).

Para a instituição, o metanol usado para adulterar bebidas alcoólicas pode ser o mesmo importado pela organização criminosa PCC para batizar combustíveis.

"O crime organizado, ao verificar esse mercado sem o devido controle e fiscalização, entrou no setor de bebidas, como já havia entrado também no setor de combustíveis e no setor de cigarros, pra maximizar os lucros das atividades criminosas dele", diz Ramazzini.

Abel Scupeliti professor de química da Escola Técnica de São Paulo (Etec-SP), explicou que o metanol -- pela aparência e pelo cheiro -- é impossível de ser identificado, mesmo misturado em bebidas. Issoo é o que torna o consumo ainda mais perigoso no organismo do ser humano -- podendo levar à morte.

"O metanol, ele é um álcool, assim como o etanol, mas ele é muito maléfico ao organismo. Ao contrário do etanol, que pode ser ingerido em doses maiores do que o metanol e não causar efeitos significativos, o metanol em baixas doses pode provocar sérios danos à saúde, desde sintomas mais leves como tontura e náusea, podendo chegar a cegueira e levar a pessoa a óbito", explica o especialista.

A Polícia Civil investiga o caso. O bar alvo da investigação não respondeu ao contato do SBT.

Mais bebidas apreendidas

A Polícia Civil apreendeu cerca de 100 garrafas de bebidas alcoólicas com suspeita de adulteração, durante fiscalizações em bares da capital paulista.

As garrafas foram localizadas em bares e mercados nos bairros do Jardim Paulista e da Mooca

Todo o material foi apreendido pela Polícia Civil, com apoio da vigilância sanitária, e agora vai passar por perícia. O objetivo é identificar se existe a presença de metanol.

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