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Vitória de Lula freia onda de direita na América do Sul

Reeleição do petista mantém Brasil entre os poucos governos de esquerda da região diante do avanço da direita na Argentina, no Chile e outros países

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Caio Barcellos
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). | Foto: Ricardo Stuckert

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). | Foto: Ricardo Stuckert

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (25) freou o avanço da direita na América do Sul, após uma sequência de vitórias de candidatos desse campo nas eleições presidenciais da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru nos últimos três anos.

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A reeleição ocorre em um contexto diferente daquele encontrado por Lula quando voltou à Presidência, em 2023. Na ocasião, países como Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia e Peru eram governados por lideranças de esquerda.

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Desde então, mudanças eleitorais alteraram esse equilíbrio, com a chegada de novos presidentes conservadores e uma aproximação de parte da região com os Estados Unidos de Donald Trump.

A primeira mudança de maior repercussão ocorreu na Argentina, com a vitória de Javier Milei, em novembro de 2023. O economista libertário derrotou o governista Sergio Massa e assumiu o governo com propostas de cortes de gastos públicos, redução da participação do Estado na economia e uma política externa mais próxima de Washington.

Mudanças políticas na região

O avanço conservador se intensificou em 2025, quando Rodrigo Paz venceu as eleições presidenciais da Bolívia e encerrou duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), partido fundado e liderado por Evo Morales, primeiro presidente indígena do país, que governou entre 2006 e 2019 e foi sucedido por seu antigo aliado Luis Arce, eleito em 2020.

No Chile, José Antonio Kast derrotou a candidata governista Jeannette Jara em dezembro de 2025 e assumiu a Presidência em março do ano seguinte. A vitória do conservador encerrou o governo de Gabriel Boric, da esquerda, e marcou uma mudança nas prioridades do país, com maior ênfase no combate à criminalidade, no controle da imigração e na redução da intervenção estatal.

Em 2026, o avanço conservador alcançou a Colômbia, com a vitória de Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda, candidato de esquerda apoiado por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país e e ex-integrante do grupo guerrilheiro M-19.

Também neste ano, o Peru elegeu Keiko Fujimori -filha do ex-ditador Alberto Fujimori- em uma disputa apertada contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez. A vitória ocorreu em meio a uma prolongada crise política, marcada por sucessivas renúncias e destituições presidenciais, que levou o país a ter nove presidentes desde 2016.

O Equador, governado por Daniel Noboa, e o Paraguai, comandado por Santiago Peña, também integram o grupo de países liderados pela direita.

Com a reeleição de Lula, o Brasil permanece como exceção ao lado do Uruguai, governado pelo presidente de centro-esquerda Yamandú Orsi.

Venezuela muda relação com os EUA

Mesmo na Venezuela, tradicional aliada de governos de esquerda da região, a relação com os EUA passou por uma transformação. Após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em 3 de janeiro de 2026, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência do país.

Rodríguez integrou o núcleo político do chavismo durante o governo Maduro, mas passou a adotar uma postura muito mais próxima de Washington. Desde que chegou ao poder, ampliou o diálogo Trump e firmou acordos voltados à recuperação do setor petrolífero, com participação de empresas e investimentos norte-americanos.

Apesar da mudança na política externa, Rodríguez não rompeu formalmente com o chavismo, que continua formalmente no comando do país. A transição política permanece indefinida, e grupos de oposição cobram eleições livres, em meio à aproximação econômica entre Caracas e Washington.

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