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Venezuela prepara decreto de estado de exceção em caso de “agressão” dos EUA

Medida dá “poderes especiais” para regime de Nicolás Maduro para atuar em defesa do país

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Camila Stucaluc
30/09/2025, 07:26 • Atualizado em 30/09/2025, 07:26
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Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro | Divulgação/governo da Venezuela

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro | Divulgação/governo da Venezuela

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou, na segunda-feira (29), que o governo tem pronto um decreto para declarar estado de exceção em caso de agressão dos Estados Unidos. A movimentação acontece em meio à operação militar norte-americana contra o narcotráfico no sul do Caribe, próximo à costa venezuelana.

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Se promulgado, o decreto, com validade de 90 dias, permitirá que o presidente Nicolás Maduro convoque as Forças Armadas em todo o território para atuar em matéria de defesa e segurança do país. Estabelecerá, ainda, poderes especiais para que Maduro possa ordenar o fechamento das fronteiras, tanto marítimas, como aéreas e terrestres.

"A Venezuela está sendo vítima de uma campanha sem precedentes. Os Estados Unidos pensaram que o povo Venezuela se renderia frente a ameaça psicológica e ameaça física, com navios apontados para a nossa costa caribenha. Eles devem pensar muito bem, porque as consequências serão catastróficas”, disse Rodríguez, citando um possível confronto entre os países.

Entenda

Em agosto, Washington enviou navios militares ao sul do Caribe, próximo à costa venezuelana, em uma missão contra o narcotráfico. A operação despertou alerta no presidente Nicolás Maduro, que começou a mobilizar militares e milicianos.

O venezuelano teme que a operação naval norte-americana seja uma ofensiva disfarçada, com o objetivo de mudar o regime do país à força. Washington considera o presidente como um dos principais narcotraficantes do mundo, alegando que o político usa organizações criminosas internacionais para levar drogas aos Estados Unidos.

A tensão entre os países aumentou nas últimas semanas, quando militares norte-americanos lançaram ataques contra embarcações venezuelanas que supostamente transportavam narcóticos ilegais. A primeira ação, em 2 de setembro, deixou 11 mortos, enquanto a segunda, no dia 15 do mesmo mês, terminou com três mortos e um militar norte-americano ferido.

Desde então, Maduro ordenou reforço no patrulhamento da fronteira, enviando 25 mil soldados das Forças Armadas ao Caribe e aumentando as inspeções aéreas sobre os navios norte-americanos. A ação fez os Estados Unidos enviarem 10 caças F-35 para um aeródromo em Porto Rico, escalando ainda mais a tensão entre os países.

Demonstração de força

Para o professor João Alfredo Lopes Nyegray, especialista em Negócios Internacionais e Geopolítica, o discurso dos Estados Unidos trata-se de uma ação contra o narcotráfico, mas, na prática, também é uma demonstração de força, especialmente diante do alinhamento da Venezuela com Rússia, China e Irã. A pressão sobre Maduro, portanto, insere-se na política externa americana para dissuadir adversários.

Isso porque a recompensa por informações que levem à captura ou condenação de Maduro é o dobro do valor oferecido na época pela localização de Osama Bin Laden (US$ 25 milhões), então líder da Al-Qaeda. Nyegray aponta que a cifra de US$ 50 milhões não é apenas simbólica, mas revela a prioridade atribuída por Washington ao enfraquecimento do regime venezuelano.

A escalada da tensão entre os países coloca a América Latina novamente no radar das disputas geopolíticas globais. O cenário, segundo Nyegray, pode trazer instabilidade às cadeias de comércio, fluxos energéticos e até mesmo comprometer a integração regional. “É um ponto de atenção não só para Caracas e Washington, mas para todos os países vizinhos”, frisa o professor.

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