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Vencedor do Nobel da Paz tomará posse em Bangladesh nesta quinta (8); ex-ministra fugiu de helicóptero

Muhammad Yunus foi o escolhido por militares e protestantes para liderar o governo interino em busca de restauração e estabilidade; entenda cenário

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Derick Toda
07/08/2024, 14:23 • Atualizado em 07/08/2024, 14:26
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Muhammad Yunus, de Bangladesh, Nobel da Paz em 2006 | Global Yunus Social Business Brasil/Divulgação

Muhammad Yunus, de Bangladesh, Nobel da Paz em 2006 | Global Yunus Social Business Brasil/Divulgação

Após a renúncia e fuga da primeira-ministra Sheikh Hasina, o governo interino de Bangladesh, liderado por Muhammad Yunus, vencedor do prêmio Nobel da Paz, será empossado na noite desta quinta-feira (8). As informações foram divulgadas em um discurso televisionado pelo general Waker Uz Zaman, nesta quarta-feira (7).

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O líder militar afirmou que aguarda Muhammad Yunus retornar de Paris para realizar a cerimônia de juramento. Com a posse, há a expectativa de restauração e estabilidade em Bangladesh após protestos que duram meses.

A nomeação de Yunus para primeiro-ministro ocorreu como uma exigência dos manifestantes e foi anunciada, nessa terça (6), pelo presidente Mohammed Shahabuddin. O presidente também dissolveu o Parlamento e pediu novas eleições, ainda sem data.

No mesmo dia, Khaleda Zia, ex-primeira-ministra e líder da oposição, foi libertada pelos manifestantes após anos de prisão. Ela estava em reclusão domiciliar, sendo liberada com outros detidos nos protestos que derrubaram Hasina.

Na segunda (5), Hasina fugiu de helicóptero pouco depois que manifestantes invadiram o palácio em Daca.

Premiê Sheik Hasina discursa pra público | Reprodução/SBT
Premiê Sheik Hasina discursa pra público | Reprodução/SBT

Contexto interno

O país localizado no sul da Ásia vive um conflito interno desde junho. Naquele mês, o Tribunal Superior retomou um sistema de cotas que reservava 30% dos empregos públicos para familiares de veteranos que lutaram na guerra de independência do país, em 1971.

O sistema beneficiava o partido Awami League, que era liderado pela ex-ministra. No entanto, protestos estudantis e respostas violentas do governo tomaram conta das ruas do país, totalizando cerca de 300 pessoas mortas e centenas de feridos.

Militares de Bangladesh aplicam toque de recolher e atiram contra manifestantes | Reprodução/SBT
Militares de Bangladesh aplicam toque de recolher e atiram contra manifestantes | Reprodução/SBT

No dia 21 de julho, o próprio Tribunal Superior não resistiu à pressão estudantil e acatou as manifestações, reduzindo a cota para 5%.

Foi definido que 93% dos empregos seriam ocupados pelas pessoas com melhor qualificação, reivindicação dos manifestantes. Os outros 2% de vagas em Bangladesh foram reservados para minorias étnicas, comunidade trans e pessoas com deficiência.

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