Turista argentina acusada de racismo diz estar “angustiada” após ser impedida de deixar o Brasil
Justiça mantém medidas contra Agostina Paez, que responde por episódio de injúria racial em bar na zona sul do Rio de Janeiro

Antonio Souza
A argentina Agostina Paez, ré por acusação de injúria racial no Rio de Janeiro, afirmou nesta quinta-feira (26) que esta "muito angustiada" por permanecer no Brasil.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), através da Promotoria de Justiça junto à 37ª Vara Criminal, obteve, na última quarta-feira (25), a manutenção das medidas cautelares que impedem a turista argentina de deixar o país.
Em entrevista ao jornal argentino La Nación, a turista afirmou estar emocionalmente abalada com a situação.
"Estou desesperada, sobrecarregada, sofrendo muito, não sei quanto mais vou sofrer aqui — disse ela à LN+, acrescentando: — Tenho cada vez menos esperança. Estou muito angustiada", disse.
Na última terça-feira (24), a defesa solicitou que Agostina respondesse ao processo em liberdade e tivesse o passaporte devolvido. O Ministério Público concordou com a possibilidade, mas condicionou a saída do país ao pagamento de uma indenização de R$ 98 mil às vítimas como garantia.
Durante audiência, a defesa alegou que as medidas eram excessivas e afirmou que Paez estaria privada de contato familiar e sofrendo supostas ameaças de morte.
Caso não haja pagamento, a Promotoria defende que ela permaneça no Brasil até a sentença.
O caso está na fase de alegações finais, etapa que antecede a sentença. A Justiça ainda vai decidir se a acusada será condenada ou absolvida.
O caso
O caso aconteceu em janeiro deste ano. Agostina Paez foi flagrada cometendo ato de racismo contra funcionários de um bar em Ipanema, zona sul do Rio. Ela teve a identidade apreendida e passou a usar tornozeleira eletrônica, além de estar proibida de deixar a cidade.
Segundo a investigação, houve um desentendimento entre Agostina e suas amigas e um funcionário do bar, por causa de um suposto erro no pagamento. Ao sair do local, a argentina chamou o funcionário de "mono" ("macaco") e fez gestos imitando o animal. Ela também disse “negros de m*rda”, referindo-se aos outros trabalhadores.
O crime foi registrado em vídeo. As imagens foram gravadas pela própria vítima e mostram o momento do insulto racial. Em um dos vídeos, é possível ver que uma das amigas tenta impedir a argentina de continuar com os gestos racistas.
O crime de racismo é inafiançável e imprescritível, conforme a legislação brasileira. Casos envolvendo estrangeiros são tratados da mesma forma que os cometidos por cidadãos brasileiros.









