Terremoto na Colômbia foi sentido por 4 minutos; entenda
Tremor principal durou cerca de 96 segundos, mas propagação das ondas sísmicas e características do solo prolongaram a sensação em algumas cidades
SBT News
Ministro da Defesa da Colômbia, Jorge Eduardo Mora López, conversa com autoridades de equipes de emergência após terremoto que abalou o país | Foto: Ministério de Defesa da Colômbia via EFE - 10.08.2026
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) foi sentido por mais de quatro minutos em algumas cidades, embora o evento principal tenha durado cerca de 96 segundos. A diferença está relacionada à forma como as ondas sísmicas se propagam e às características do solo de cada região.
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Segundo o Serviço Geológico da Colômbia (SGC), a duração de um terremoto pode ser medida de maneiras diferentes. Uma delas considera o tempo da ruptura que libera energia no interior da Terra; outra, o período durante o qual os instrumentos registram as vibrações; e há ainda o intervalo em que o movimento é efetivamente percebido pelas pessoas.
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Isso acontece porque a energia liberada pelo terremoto viaja pelo interior e pela superfície da Terra por meio de diferentes tipos de ondas sísmicas, que se deslocam em velocidades distintas. Assim, mesmo depois do fim da ruptura que originou o terremoto, as ondas geradas pelo evento podem continuar chegando a diferentes localidades e fazendo o solo vibrar.
Outro fator que ajuda a explicar a sensação prolongada é o chamado efeito de sítio, fenômeno associado às características do terreno e à maneira como o solo responde às ondas sísmicas.
Em entrevista à "BLU Radio", Julio Fierro, diretor do Serviço Geológico da Colômbia, explicou que determinados tipos de solo podem amplificar as ondas e fazer com que o movimento seja percebido por mais tempo. Para ilustrar o fenômeno, ele comparou o terreno a um tanque cheio de água.
"O tanque pode vibrar, mas a água dentro dele vibra por muito mais tempo", explicou.
Esse efeito é especialmente relevante na Savana de Bogotá, principalmente nas áreas planas. Segundo Fierro, as características do subsolo da região ajudam a prolongar as vibrações provocadas pelo terremoto.
"Sentimos um terremoto que durou bastante tempo", afirmou.
A explicação está relacionada à própria história geológica da região. Onde hoje fica a Savana de Bogotá existiu o antigo Lago Humboldt, cuja presença deixou depósitos e sedimentos no subsolo. Esse tipo de terreno pode modificar a maneira como as ondas sísmicas se propagam.
"Ainda estamos sentindo, por assim dizer, a influência dessa marca geológica", disse Fierro.
Por isso, a duração percebida de um terremoto não depende apenas de sua magnitude. A profundidade do hipocentro, a distância em relação ao local onde ocorreu a ruptura e, principalmente, as características do terreno podem fazer com que o movimento seja sentido de maneiras diferentes em cada cidade.
A magnitude do terremoto desta segunda-feira também contribuiu para que as vibrações fossem percebidas a grandes distâncias. Segundo Fierro, foi o tremor mais forte registrado na Colômbia na última década e um dos mais intensos deste século. Como comparação, o diretor do SGC citou o terremoto de Tumaco, de 1979, que atingiu magnitude 8,1.
A Colômbia está em uma região de intensa atividade sísmica devido à interação de diferentes placas tectônicas. Na costa do Pacífico, a placa de Nazca se desloca sob a placa Sul-Americana em um processo conhecido como subducção, responsável por uma parcela importante dos terremotos registrados no país.
Após o tremor principal, também foram registradas réplicas. Fierro ressaltou, no entanto, que não é possível prever quando esses novos abalos ocorrerão nem qual será a magnitude deles.
"É impossível prever quando acontecerá, muito menos sua magnitude", afirmou.
O diretor do SGC também pediu que a população consulte fontes oficiais antes de compartilhar informações sobre supostas réplicas, diante da circulação de mensagens sem confirmação nas redes sociais.
Terremoto na Colômbia foi sentido por 4 minutos; entendaTremor principal durou cerca de 96 segundos, mas propagação das ondas sísmicas e características do solo prolongaram a sensação em algumas cidadesMundo2026-08-10T23:40:16.188ZO nesta segunda-feira (10) foi sentido por mais de quatro minutos em algumas cidades, embora o evento principal tenha durado cerca de 96 segundos. A diferença está relacionada à forma como as ondas sísmicas se propagam e às características do solo de cada região. Segundo o Serviço Geológico da Colômbia (SGC), a duração de um terremoto pode ser medida de maneiras diferentes. Uma delas considera o tempo da ruptura que libera energia no interior da Terra; outra, o período durante o qual os instrumentos registram as vibrações; e há ainda o intervalo em que o movimento é efetivamente percebido pelas pessoas. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Isso acontece porque a energia liberada pelo terremoto viaja pelo interior e pela superfície da Terra por meio de diferentes tipos de ondas sísmicas, que se deslocam em velocidades distintas. Assim, mesmo depois do fim da ruptura que originou o terremoto, as ondas geradas pelo evento podem continuar chegando a diferentes localidades e fazendo o solo vibrar. Outro fator que ajuda a explicar a sensação prolongada é o chamado efeito de sítio, fenômeno associado às características do terreno e à maneira como o solo responde às ondas sísmicas. Em entrevista à "BLU Radio", Julio Fierro, diretor do Serviço Geológico da Colômbia, explicou que determinados tipos de solo podem amplificar as ondas e fazer com que o movimento seja percebido por mais tempo. Para ilustrar o fenômeno, ele comparou o terreno a um tanque cheio de água. "O tanque pode vibrar, mas a água dentro dele vibra por muito mais tempo", explicou. Esse efeito é especialmente relevante na Savana de Bogotá, principalmente nas áreas planas. Segundo Fierro, as características do subsolo da região ajudam a prolongar as vibrações provocadas pelo terremoto. "Sentimos um terremoto que durou bastante tempo", afirmou. A explicação está relacionada à própria história geológica da região. Onde hoje fica a Savana de Bogotá existiu o antigo Lago Humboldt, cuja presença deixou depósitos e sedimentos no subsolo. Esse tipo de terreno pode modificar a maneira como as ondas sísmicas se propagam. "Ainda estamos sentindo, por assim dizer, a influência dessa marca geológica", disse Fierro. Por isso, a duração percebida de um terremoto não depende apenas de sua magnitude. A profundidade do hipocentro, a distância em relação ao local onde ocorreu a ruptura e, principalmente, as características do terreno podem fazer com que o movimento seja sentido de maneiras diferentes em cada cidade. A magnitude do terremoto desta segunda-feira também contribuiu para que as vibrações fossem percebidas a grandes distâncias. Segundo Fierro, foi o tremor mais forte registrado na Colômbia na última década e um dos mais intensos deste século. Como comparação, o diretor do SGC citou o terremoto de Tumaco, de 1979, que atingiu magnitude 8,1. A Colômbia está em uma região de intensa atividade sísmica devido à interação de diferentes placas tectônicas. Na costa do Pacífico, a placa de Nazca se desloca sob a placa Sul-Americana em um processo conhecido como subducção, responsável por uma parcela importante dos terremotos registrados no país. Após o tremor principal, também foram registradas réplicas. Fierro ressaltou, no entanto, que não é possível prever quando esses novos abalos ocorrerão nem qual será a magnitude deles. "É impossível prever quando acontecerá, muito menos sua magnitude", afirmou. O diretor do SGC também pediu que a população consulte fontes oficiais antes de compartilhar informações sobre supostas réplicas, diante da circulação de mensagens sem confirmação nas redes sociais. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/terremoto-na-colombia-foi-sentido-por-4-minutos-entenda