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Suíça diz estar aberta para sediar negociações de paz entre Zelensky e Putin

Governo afirmou que tomaria medidas jurídicas para driblar mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional contra presidente russo

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Camila Stucaluc
20/08/2025, 08:28 • Atualizado em 20/08/2025, 09:54
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Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e presidente da Rússia, Vladimir Putin | Reprodução

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e presidente da Rússia, Vladimir Putin | Reprodução

O governo da Suíça disse estar disposto a sediar a próxima cúpula entre Ucrânia e Rússia para debater o fim da guerra, desta vez com a participação dos presidentes Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, o encontro aconteceria em Genebra, no sul do país.

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No caso de Putin, Cassis informou que o governo tomaria providências especiais devido à jurisprudência do Tribunal Penal Internacional (TPI) no país. Isso porque o líder russo é alvo de um mandado de prisão por crimes de guerra emitido pela Corte, que pode atuar somente nos territórios signatários.

“Sempre sinalizamos a nossa vontade [de sediar a reunião], mas isso depende da vontade das grandes potências. Sabemos o que fazer para que tudo corra bem. Podemos fazer isso apesar do mandado de prisão contra Putin, por causa de nosso papel especial e do papel de Genebra como sede europeia da ONU”, disse Cassis à SRF.

A reunião entre Zelensky e Putin está programada para acontecer em até duas semanas, conforme líderes europeus. O local do encontro, no entanto, ainda será definido. Além de Genebra, Budapeste, na Hungria, e Moscou, na Rússia, já foram cogitadas pelo governo dos Estados Unidos — que media as negociações entre os países.

Exigências russas

Na segunda-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiantou que, para conseguir um acordo com a Rússia, Zelensky deveria abandonar a ideia de recuperar a Crimeia, anexada por Moscou em 2014, bem como de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

As medidas fazem parte das exigências do governo russo para acabar com o conflito. No caso da Crimeia, Moscou alega que a anexação aconteceu por razões históricas e pela vontade da população local. Já em relação à Otan, o Kremlin classifica como ameaça a expansão da aliança militar pelo Leste Europeu, uma vez que quase todos os países fronteiriços já pertencem ao bloco.

Como um dos objetivos de guerra de Putin é conquistar Donbass, a previsão é que o líder russo estipule trocas territoriais como parte de um acordo de paz. Formada pelas regiões ucranianas de Luhansk e Donetsk, a bacia de Donbass, de aproximadamente 45 mil km², abriga grandes reservas de carvão e ferro, economicamente valiosas para Moscou.

Em declarações anteriores, Zelensky rejeitou entregar os territórios à Rússia. Para o líder ucraniano, tal ação impediria a Ucrânia de atuar em linhas defensivas e abriria caminho para Moscou realizar novas ofensivas no país.

Trump, por sua vez, disse que a troca territorial talvez seja necessária para chegar a um acordo de paz. O chanceler alemão Friedrich Merz discordou, dizendo que a exigência russa é “equivalente aos Estados Unidos terem que ceder a Flórida”. “Um Estado soberano não pode simplesmente decidir algo assim. É uma decisão que a Ucrânia deve tomar por conta própria durante as negociações", pontuou.

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