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Recebido por Lula no Pará, Macron homenageia Cacique Raoni e anuncia 1 bi de euros para agenda ambiental

Líder indígena foi condecorado com a Ordem Nacional da Legião de Honra, maior condecoração do governo da França

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Raphael Felice
27/03/2024, 14:02 • Atualizado em 27/03/2024, 14:18
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Recebido por Lula no Pará, Macron homenageia Cacique Raoni e anuncia 1 bi de euros para agenda ambiental

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O presidente da França, Emmanuel Macron, homenageou o Cacique Raoni Metuktire, nesta terça-feira (26), com a Condecoração da Ordem Nacional da Legião de Honra, maior honraria do governo francês. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Macron e acompanhou a homenagem. 

O evento foi prestigiado por diversas autoridades, entre elas, o governador do Pará, Helder Barbalho; as ministras dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e do Meio Ambiente, Marina Silva; a presidente da Funai, Joenia Wapichana; e por diversas lideranças indígenas e representantes da Guiana Francesa, além da primeira-dama, Janja.

Ao discursar, o chefe de Estado francês elogiou Raoni e lembrou da trajetória de luta e proteção do cacique pelo direito dos povos indígenas.

“Nunca você parou. Nunca você vai parar. Você foi um líder desse combate e levou muito mais longe, de maneira mais firme, do que muitos outros. Você é um cacique cuja idade já não conta. A sua energia é cada vez mais forte. Cada vez que o vejo ele está mais forte. Lula, ele é uma esperança para nós”, afirmou o presidente francês.

Da etnia kayapó, Raoni discursou em seu idioma, e disse ter ficado emocionado com a homenagem em meio ao momento de luto pela morte da neta. O indígena agradeceu a Macron por reconhecer seu trabalho em prol da luta ambiental.

“Eu nunca concordei com desmatamento, com extração de madeira, com extração de minério, ouro, essas explorações, essa destruição. Eu fico preocupado que o homem branco continue fazendo esse tipo de atividade. A gente está sentindo a mudança do clima, estamos sentindo o calor, e eu fico preocupado porque se esse trabalho de destruir continuar, podemos ter problemas sérios para todos nós no mundo”, disse.

“Nós temos que continuar, porque a gente está fazendo esse trabalho pelos nossos descendentes. As pessoas do futuro precisam de nós. Nossos netos, nossos filhos, nossos bisnetos precisam que a gente faça alguma coisa agora, para o bem deles futuramente”, concluiu.

O presidente Lula também discursou e lembrou das promessas durante os três mandatos como presidente da República e da campanha eleitoral de 2022. Ele reforçou a luta de alcançar o desmatamento zero até 2030 e reforçou o papel dos povos indígenas para atingir este objetivo.

Em sua fala, o presidente Lula lembrou os compromissos assumidos durante seus três mandatos como presidente da República e reforçou a meta do Brasil de alcançar o desmatamento zero até 2030.

“Tenho certeza absoluta de que o nosso governo já é o governo que mais remarcou terra indígena e é o governo que vai continuar remarcando terra indígena e vai continuar remarcando parques de reservas florestais para que a gente evite o desmate. Nós temos um compromisso de até 2030 chegarmos a zero por cento de desmatamento na Amazônia. Não foi ninguém que pediu para nós, não foi nenhuma convenção que pediu para nós, fomos nós no governo que decidimos que a gente vai levar a luta contra o desmatamento como uma profissão de fé. A gente vai provar ao mundo que nós vamos preservar a nossa Amazônia”, afirmou Lula.

Macron e Lula também anunciaram o Apelo de Belém, com investimentos de 2 bilhões de euros na agenda ambiental. Cada presidente vai investir US$ 1 bilhão em projetos de proteção ambiental.

“Com o presidente Lula, decidimos lançar o Apelo de Belém, onde, juntos, vamos avançar nesse combate e tomar decisões muito concretas. Vamos investir, cada um, um bilhão de dólares, cada país, para a biodiversidade e atividades econômicas compatíveis com o interesse dos povos indígenas, que lhes permitam ter perspectivas de desenvolvimento e conservar a nossa floresta”, disse Macron.

“Vamos também relançar atividades de cooperação e a luta contra o garimpo ilegal e a luta contra todos os interesses financeiros de curto prazo que venham aqui ameaçar a floresta. O que nós queremos fazer é preservar, conhecer melhor, multiplicar a cooperação científica, assumir estratégias de apoio aos povos indígenas e, juntos, realizar ações de investimentos da bioeconomia para que isso cresça”, detalhou o presidente da França.

Fotos: Ricardo Stuckert/PR

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