Presidente da Síria reconhece direitos dos curdos e restaura cidadania após violência em Aleppo
Decreto de Ahmed al-Sharaa reconhece o idioma curdo e proíbe discriminação étnica, em meio a tensões com forças curdas


Reuters
O presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, emitiu um decreto afirmando os direitos dos sírios curdos, reconhecendo formalmente seu idioma e restaurando a cidadania de todos os sírios curdos, informou a agência de notícias estatal Sana nesta sexta-feira(16).
O decreto de Sharaa veio após os confrontos que eclodiram na última semana na cidade de Aleppo, no norte do país, deixando pelo menos 23 pessoas mortas, segundo o Ministério da Saúde da Síria, e forçando mais de 150.000 pessoas a fugir dos dois bolsões da cidade controlados pelos curdos.
Os confrontos terminaram depois que os combatentes curdos se retiraram.
A violência em Aleppo aprofundou uma das principais divisões na Síria, onde a promessa de al-Sharaa de unificar o país sob uma única liderança, após 14 anos de guerra, tem enfrentado a resistência das forças curdas que desconfiam de seu governo liderado por islamitas.
Pela primeira vez, o decreto concede direitos aos sírios curdos, incluindo o reconhecimento da identidade curda como parte do tecido nacional da Síria. Ele designa o curdo como idioma nacional, juntamente com o árabe, e permite que as escolas o ensinem.
Também abole medidas que datam de um censo de 1962 na província de Hasaka, que retirou a nacionalidade síria de muitos curdos, concedendo cidadania a todos os residentes afetados, incluindo aqueles anteriormente registrados como apátridas.
O decreto proíbe a discriminação étnica ou linguística, exige que as instituições estatais adotem mensagens nacionais inclusivas e estabelece penalidades para o incitamento de conflitos étnicos.
O governo sírio e as Forças Democráticas da Síria, lideradas pelos curdos, que controlam o nordeste do país, iniciaram meses de conversações no ano passado para integrar os órgãos militares e civis administrados pelos curdos às instituições estatais sírias até o final de 2025, mas houve pouco progresso.








