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Porta-voz dos EUA nega influência de Bolsonaros em decisão

Amanda Roberson, do Departamento de Estado, diz que decisão sobre PCC e CV foi tomada por Donald Trump e descartou intervenção militar no Brasil

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Caroline Vale, Raquel Landim
29/05/2026, 19:37 • Atualizado em 29/05/2026, 20:51
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A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, afirmou nesta sexta-feira (29) que a decisão de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas não sofreu influência da família Bolsonaro. Ela também descartou qualquer possibilidade de ação militar no Brasil.

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Em entrevista ao Poder Expresso, do SBT News, Roberson afirmou que a medida foi tomada exclusivamente pelo presidente Donald Trump e sua equipe, após questionamentos sobre uma possível relação entre a decisão e a recente visita do pré-candidato à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, e seu irmão e ex-deputado, Eduardo Bolsonaro, ao presidente dos EUA.

“É só o presidente Trump mesmo e sua equipe que toma decisões dessa magnitude que afeta os Estados Unidos”, declarou. Segundo ela, “o presidente Trump toma suas decisões de maneira independente, sempre colocando os interesses dos americanos e da nossa segurança nacional em primeiro lugar."

Ao ser questionada sobre o risco de operações armadas ou intervenções militares no Brasil, a porta-voz negou essa possibilidade.

“A lei americana que explica essas designações é muito clara, não contempla nenhum tipo de ação militar”, declarou.

Roberson afirmou ainda que o caso da Venezuela “é muito específico, muito único” e disse em outro momento da entrevista que, no caso brasileiro, os Estados Unidos querem "incentivar as autoridades brasileiras a tomar medidas mais rigorosas contra esses grupos".

O Departamento de Estado anunciou na quinta-feira (28) a designação do PCC e do CV como “terroristas globais especialmente designados”. A partir de 5 de junho, as facções também passarão a ser classificadas oficialmente como “organizações terroristas estrangeiras”, conforme explicou Roberson.

O que muda com a classificação

De acordo com a porta-voz, as medidas incluem restrições de vistos, bloqueio de bens nos Estados Unidos e proibição de transações financeiras envolvendo integrantes ou apoiadores dos grupos. Ela afirmou ainda que fornecer “apoio material” às facções poderá ser considerado crime pelas autoridades americanas.

Amanda Roberson destacou que Brasil e Estados Unidos já mantêm cooperação na área de segurança pública e combate ao crime organizado. “Só no ano passado, por exemplo, confiscamos mais de 17 toneladas de cocaína em ações conjuntas”, afirmou.

A representante do governo americano também disse que as autoridades dos EUA identificaram atividades do PCC e do CV em 12 estados americanos. Segundo ela, os grupos atuam em crimes como tráfico de drogas, tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro.

Questionada sobre possíveis impactos para bancos brasileiros e para o Pix, Roberson evitou citar casos específicos, mas afirmou que as autoridades irão investigar possíveis violações relacionadas às sanções impostas aos grupos criminosos.

Segundo ela, com a inclusão do PCC e do CV, os Estados Unidos passam a reconhecer 17 grupos criminosos e cartéis do continente como organizações terroristas estrangeiras.

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