Venezuela transferirá político da oposição recém-libertado para prisão domiciliar
Juan Pablo Guanipa teria sido levado por homens armados e sem identificação em Caracas, segundo denúncia do filho



SBT News
com informações da Reuters
Autoridades venezuelanas anunciaram no domingo (09) que buscavam aprovação judicial para colocar o proeminente político da oposição Juan Pablo Guanipa em prisão domiciliar, logo após ele ter sido levado por homens armados em Caracas, em um incidente que seu filho classificou como sequestro.
O incidente ocorreu horas depois que Guanipa, aliado próximo da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado, foi libertado da prisão após ficar detido por mais de oito meses sob a acusação de liderar uma conspiração terrorista.
O Ministério Público da Venezuela disse em um comunicado que Guanipa violou os termos de sua libertação, mas não forneceu detalhes. Não foi informado se ele havia sido preso novamente.
O incidente lança incertezas sobre as promessas do governo de aprovar uma lei de anistia e libertar presos políticos, à medida que a pressão dos EUA aumenta um mês após o governo Trump capturar e depor o líder de longa data Nicolás Maduro.
O filho do político, Ramon Guanipa, e Corina Machado, que ganhou o Nobel por seus esforços para destituir Maduro, afirmaram que ele foi levado à força por homens não identificados.
“Homens fortemente armados vestidos com roupas civis chegaram em quatro veículos e o levaram à força”, disse Corina Machado em uma postagem no X.
O jovem Guanipa afirmou em um vídeo nas redes sociais: “Meu pai foi sequestrado novamente”.
Poucas horas antes, Juan Pablo Guanipa havia postado vídeos nas redes sociais nos quais falava com jornalistas e uma multidão de apoiadores entusiasmados. Ele pediu a libertação de outros presos políticos e chamou o atual governo de ilegítimo.
A reeleição de Maduro em 2024 foi amplamente vista como fraudulenta e vários países, incluindo os EUA, não reconhecem a legitimidade de seu governo.
Centenas liberados desde 8 de janeiro
Guanipa disse em entrevista a um veículo online local que conversou brevemente com Corina Machado após ser libertado e esperava conversar mais com ela no dia seguinte.
A oposição e os grupos de direitos humanos da Venezuela afirmam há anos que o governo socialista do país usa detenções para reprimir a dissidência.
O governo nega manter presos políticos e diz que os detidos cometeram crimes. Autoridades afirmam que quase 900 dessas pessoas foram libertadas, mas não foram claras sobre o cronograma e parecem estar incluindo libertações de anos anteriores. O governo não forneceu uma lista oficial de quantos presos serão libertados nem revelou suas identidades.
O grupo de direitos humanos Foro Penal afirmou que 383 presos políticos foram libertados desde que o governo venezuelano anunciou, em 8 de janeiro, que iniciaria uma nova série de libertações. O grupo contabilizou outras 35 libertações no domingo, incluindo o político da oposição Freddy Superlano e o advogado Perkins Rocha, também aliados próximos de Machado.
O diretor do grupo, Alfredo Romero, disse nas redes sociais que ainda não tinham informações claras sobre quem levou Guanipa.
(Reportagem de Akanksha Khushi em Bengaluru e Daina Beth Solomon)









