ONU inclui Israel e Rússia em lista de violência sexual
Organização inclui os países em lista de suspeitos de violência sexual em conflitos armados; Israel reage

Zona de guerra. | AP Photo/Fatima Shbair
A Organização das Nações Unidas (ONU) colocou Israel e Rússia em uma lista de países suspeitos de cometer violência sexual em zonas de conflito. Após a inclusão nesta sexta-feira (29), o Ministério das Relações Exteriores de Israel disse que vai cortar todos os laços com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
O relatório anual de Guterres para o Conselho de Segurança da ONU sobre violência sexual relacionada a conflitos vai um passo além do ano passado, quando ele colocou Israel e Rússia "em alerta" de que poderiam ser adicionados à lista de partes "credivelmente suspeitas de cometer ou ser responsáveis por padrões de estupro ou outras formas de violência sexual".
O mais recente relatório incluiu os países na lista e traz descrições angustiantes de abusos nas mãos das Forças Armadas e de segurança israelenses e russas. O Hamas já estava na lista e, em uma publicação nas redes sociais, o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, disse que classificar Israel com o grupo militante marcaria um "novo fundo do poço".
"Esta é uma decisão política! Desconectada dos fatos e da realidade!", afirmou Danon em outra postagem da missão israelense na ONU.
Danon disse que Israel respondeu detalhadamente a cada alegação e convidou representantes da ONU para visitar e examinar a situação, mas que eles não quiseram.
No que a medida afeta?
A inclusão na lista não acarreta automaticamente medidas punitivas específicas, como sanções, embora a nomeação e a vergonha pública possam causar danos significativos à reputação dos Estados envolvidos, e aqueles que são repetidamente listados são impedidos de participar das operações de manutenção da paz da ONU.
"Dado que António Guterres optou por violar todos os padrões de honestidade, integridade e profissionalismo, Israel decidiu cortar todos os laços com o gabinete do secretário-geral e aguardará até que um novo secretário-geral da ONU seja nomeado", publicou o Ministério das Relações Exteriores de Israel no X. Um novo secretário-geral da ONU deve ser nomeado ainda este ano.
A compiladora do relatório, Pramila Patten, representante especial de Guterres para a violência sexual em conflitos, confirmou em uma coletiva de imprensa que houve um convite de Israel, mas também se referiu a discordâncias sobre o escopo da visita e disse que, em última análise, teve que ser suspensa devido à guerra em Gaza.
Ela disse que os casos de violência sexual relacionados a conflitos, verificados pelas Nações Unidas em todo o mundo, aumentaram em mais de 100% em 2025 em relação a 2024 e chamou isso de uma tendência muito perturbadora que ainda era apenas a "ponta do iceberg".
"Esse número pode ser atribuído ao fato de que estamos passando por um momento em que temos um número recorde de conflitos extremamente violentos e ao fato de que os agressores estão se sentindo encorajados por um contexto de impunidade", declarou.














