Brasil atinge maior IDH da história, diz ONU
Índice de Desenvolvimento Humano chegou a sua melhor marca, de 0,805 em 2024; relatório associa alta a políticas públicas e permanência escolar

Veículos trafegam pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 28.08.2015
O Brasil atingiu, pela primeira vez, o patamar de "muito alto" de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), sua melhor marca até hoje. O indicador, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir o nível de desenvolvimento social e a qualidade de vida de uma população, existe desde 1990.
Segundo dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil, referentes ao período de 2012 a 2024, o país atingiu o índice de 0,805 em 2024. Para efeito de comparação, em 2023, a Islândia liderou o ranking com um IDH de 0,972.
"Não é um número insignificante", afirma o chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas. "Representa décadas de investimento público, de políticas que prolongaram vidas, abriram as portas das escolas e colocaram renda nas mãos das pessoas. Isso merece ser reconhecido."
"O Brasil atingiu sua melhor marca, mas agora entra em um novo ciclo de desenvolvimento", diz a economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD do Brasil. "É um desafio de país maduro, que exige enfrentar desigualdades históricas de raça, gênero e renda."

O estudo aponta que a educação foi o fator que mais impulsionou o crescimento do IDHM brasileiro ao longo da série histórica. O relatório também associa parte desse avanço a políticas públicas de inclusão social e permanência escolar, como o Bolsa Família, que ajudou a ampliar a frequência escolar e reduzir o trabalho infantil.
Betina ressalta a importância dos avanços na educação especialmente entre a população preta. Em 2021, estimava-se que a população preta levaria 35 anos para alcançar o mesmo IDH da população branca. Em 2024, essa projeção caiu para 26 anos.
"O desenvolvimento brasileiro não vai melhorar se não for um desenvolvimento inclusivo. Inclusão significa trazer para o conjunto de políticas públicas a população negra e as mulheres", afirma.
Desigualdades persistentes
Apesar do avanço histórico, o estudo aponta desigualdades persistentes. Disparidades raciais, de gênero e regionais ainda permanecem significativas no país. Quando ajustado pela desigualdade, o IDHM brasileiro cai de 0,805 para 0,641, indicando que parte da população ainda vive distante da média nacional.
O IDH da população branca é de 0,851, acima da média nacional, enquanto o da população preta é de 0,774. Entre homens e mulheres, os indicadores também revelam disparidades, sobretudo quando considerado o IDHM ajustado pela renda do trabalho. O índice dos homens é de 0,802, enquanto o das mulheres é de 0,798.
Os dados também escancaram desigualdades regionais e raciais no país. Enquanto um homem branco no Rio Grande do Sul tem expectativa de vida média de 81 anos, um homem negro no Amapá vive, em média, 73 anos. A diferença também aparece na renda: enquanto uma pessoa branca no Distrito Federal recebe, em média, R$ 1.987, uma pessoa negra no Maranhão tem rendimento médio de R$ 446.
"O fato de o Brasil ter alcançado um IDH muito alto nos dá uma plataforma. A tarefa agora é não se contentar com a média. É usar essa plataforma para construir um sistema educacional à altura do momento — um sistema tecnologicamente fluente, informado sobre as questões climáticas e economicamente honesto sobre o que o futuro exige", diz Providas.
"A sociedade brasileira como um todo tem um papel decisivo no avanço do IDH, e o desenvolvimiento humano não é produzido apenas pelo governo, embora ele tenha um papel fundamental. O relatório insiste muito na ideia de escolhas coletivas", acrescenta.















