ONU diz que Israel cometeu genocídio em Gaza
Comissão da ONU afirma que forças israelenses teriam alvejado deliberadamente crianças palestinas e aponta possíveis crimes contra a humanidade

Palestinos aguardam comida em Nuseirat, centro de Gaza | 28/9/2025/Reuters/Mahmoud Issa
Israel teria alvejado deliberada e intencionalmente crianças palestinas durante a guerra na Faixa de Gaza, resultando em genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, afirmou uma comissão de inquérito da ONU.
O relatório, divulgado nesta terça-feira (23), diz que as forças israelenses “executaram deliberadamente atos que infligiram morte e graves danos físicos e mentais a centenas de milhares de crianças palestinas”, como parte de uma “estratégia deliberada para destruir o futuro dos palestinos em Gaza”.
O documento foi produzido pela Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental e Israel, que já havia concluído no ano passado que haveria indícios de genocídio em curso na guerra. Agora, a comissão afirma que a intensidade e o padrão das operações militares se mantêm, com impacto “sem precedentes” sobre crianças palestinas, tanto em termos de mortes quanto de ferimentos físicos e psicológicos.
Outras acusações
O relatório afirma ainda que ataques a maternidades e unidades neonatais teriam afetado recém-nascidos e a saúde reprodutiva da população. Também há menções a violência sexual e tortura em prisões, além de deslocamentos forçados e colapso de serviços básicos.
Segundo o presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, “crianças palestinas têm sido deliberadamente alvejadas e mortas pelas forças de segurança israelenses”, mesmo após períodos de cessar-fogo.
A comissão afirma que esses atos podem indicar intenção de destruir, total ou parcialmente, o grupo palestino em Gaza, o que configura genocídio segundo o direito internacional.
O relatório recomenda que Israel cesse as violações apontadas, garanta responsabilização dos envolvidos e permita mecanismos internacionais de investigação. Também pede o fim das hostilidades e da ocupação dos territórios palestinos.
A ONU e suas comissões de inquérito não têm poder de punição direta, mas seus relatórios podem influenciar investigações internacionais e debates em cortes e organismos multilaterais.
Israel, em ocasiões anteriores relacionadas a investigações semelhantes, já rejeitou acusações desse tipo, contestando conclusões de relatórios da ONU.















