PF: patrimônio do banco Digimais cresceu 10x em 5 meses
Banco ligado ao bispo da Igreja Universal foi alvo de operação da Polícia Federal nesta terça; Edir Macedo teve seu sigilo bancário quebrado


Banco Digimais | Divulgação/Digimais
O Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, valorizou o próprio patrimônio em mais de dez vezes em um intervalo de apenas cinco meses, segundo investigações da Polícia Federal. A instituição realizou rodadas contínuas de reavaliação para transformar uma compra de R$ 71 milhões em um patrimônio de R$ 741 milhões, entre junho e outubro de 2023.
As informações levaram a PF a deflagrar uma operação contra a instituição financeira nesta terça-feira (23). Além disso, A Justiça determinou o bloqueio de R$ 670,3 milhões em bens ligados aosbanco. Ao todo, os investigadores obtiveram a quebra de 18 sigilos bancários e cumpriram nove mandados de busca e apreensão.
De acordo com a PF, as manobras de reavaliação de ativos chegaram a ser questionadas pelo Banco Central, mas o Digimais teria tentado vender a instituição para burlar as determinações de irregularidade do órgão. Uma dessas tentativas de compra foi feita por Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, por meio da holding Bluebank.
A PF aponta semelhanças entre as práticas adotadas pela instituição de Macedo e o banco de Daniel Vorcaro. Ambos os bancos teriam, por exemplo, utilizado a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como uma espécie de "fiador" de suas práticas financeiras suspeitas.
Edir Macedo é apontado como um dos responsáveis pelas práticas irregulares do Digimais. Ele teve o seu sigilo bancário quebrado, mas escapou de um mandato de busca e apreensão por residir no exterior.
O SBT News tenta contato tanto com o Banco Digimais quanto com Edir Macedo e se coloca à disposição para atualizar esse espaço, caso ambos queriam se pronunciar sobre os fatos.
Em maio, quando a suposta fraude passou a ser noticiada, a instituição afirmou que as alegações eram "completamente inverídicas, distorcidas e desprovidas de qualquer comprovação material ou documental".
Leia nota na íntegra:
"O Banco Digimais vem a público manifestar seu esclarecimento diante das recentes matérias jornalísticas veiculadas, as quais imputam, de forma imprudente e irresponsável, supostas irregularidades contábeis e investigações sem qualquer lastro na realidade.
Diante do manifesto caráter difamatório da publicação, esclarecemos o que segue:
* Ausência de Provas e Fatos Deturpados: As publicações baseiam-se em alegações completamente inverídicas, distorcidas e desprovidas de qualquer comprovação material ou documental. Trata-se de narrativas plantadas com o claro intuito de prejudicar a imagem pública e a solidez da instituição.
* Compromisso com a Legalidade: Reiteramos que todas as nossas operações, balanços e movimentações financeiras são pautados pela mais estrita legalidade, legitimidade, transparência e em total conformidade com as normas dos órgãos reguladores do sistema financeiro nacional, sendo auditados regularmente.
* Irresponsabilidade Jornalística: A divulgação de acusações gravíssimas sem a devida checagem dos fatos ou a apresentação de provas concretas fere frontalmente a ética jornalística e o direito à informação verídica, gerando desinformação e prejuízos infundados.
A instituição permanece firme em seu propósito, operando com a segurança e a integridade que sempre nortearam suas atividades, à disposição de seus clientes, parceiros e das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos legítimos.
São Paulo, 20 de maio de 2026.
Administração"














