Após remover vídeo, Sóstenes questiona Embaixada dos EUA
Parlamentar busca esclarecimentos sobre supostas investigações americanas de financiamento de facções criminosas ao PT. TSE mandou retirar o video das redes


Sóstenes Cavalcante | Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) enviou nesta terça-feira (23) um ofício à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para solicitar esclarecimentos sobre supostas investigações americanas envolvendo o financiamento de partidos políticos latino-americanos por organizações criminosas.
A iniciativa ocorre após o parlamentar cumprir uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou a remoção de um vídeo publicado por ele nas redes sociais.
Segundo Sóstenes, o pedido tem como objetivo obter uma posição oficial das autoridades americanas sobre eventuais suspeitas relacionadas ao tema. O deputado informou ainda que protocolou um requerimento de informações na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e solicitou a realização de uma audiência pública com representantes da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
"Mesmo não concordando com Mendonça, cumpri as 24 horas e apaguei a postagem. Em nenhum momento no vídeo afirmei. Eu disse que há suspeita do governo americano de que há financiamento de recursos do Comando Vermelho e do PCC ao PT.", declarou o parlamentar.
Ainda de acordo com Sóstenes, a intenção é esclarecer oficialmente o assunto. "Enviei um ofício à Embaixada americana para esclarecer se há suspeita de patrocínio de partidos de esquerda latino-americanos pelo crime organizado. Dei entrada a um requerimento de informações na Comissão de Relações Exteriores para que isso possa ser esclarecido e pedi uma audiência pública com representantes da Embaixada dos Estados Unidos. Eu jamais postaria algo que não condiz com a verdade. Eu disse que há uma suspeita e nada melhor que o próprio governo americano para dizer se há ou não", afirmou.
A manifestação ocorre após decisão liminar do vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, que determinou a retirada do conteúdo das redes sociais do deputado. A medida atendeu a uma representação apresentada pela Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), formada pelo PT, PCdoB e PV.
Ao analisar o caso, Mendonça entendeu que a publicação extrapolou os limites da crítica política ao associar o PT ao recebimento de recursos de organizações criminosas sem apresentar elementos mínimos que comprovassem a acusação. Segundo a decisão, a postagem afirmava haver "grandes suspeitas nos Estados Unidos" de que dinheiro de facções criminosas financiaria campanhas do partido, sem indicar informações verificáveis que sustentassem a declaração.
Para o ministro, a divulgação de uma imputação grave sem comprovação mínima pode comprometer a integridade do debate eleitoral e induzir o eleitorado a erro.
A liminar determinou a remoção das publicações em até 24 horas, sob pena de multa diária, além de proibir a republicação, o impulsionamento ou a divulgação de conteúdo idêntico ou equivalente. As plataformas digitais também foram notificadas para cumprir a ordem judicial.
Na decisão, Mendonça ressaltou que a medida não impede críticas ao PT, ao governo federal, a pré-candidatos ou a propostas de segurança pública, desde que não sejam reproduzidas acusações sem demonstração mínima de veracidade. O caso ainda será submetido ao plenário do TSE para referendo da cautelar.















