Mundo

ONGs humanitárias pedem que Israel acabe com "militarização da ajuda" em Gaza

Grupos denunciam critérios vagos e politizados para dificultar entrada de suprimentos na região

C
Camila Stucaluc
14/08/2025, 07:49 • Atualizado em 14/08/2025, 07:49
compartilhar
Palestinos aguardam para receber comida de uma cozinha beneficente na Cidade de Gaza | REUTERS/Dawoud Abu Alkas

Palestinos aguardam para receber comida de uma cozinha beneficente na Cidade de Gaza | REUTERS/Dawoud Abu Alkas

Uma carta conjunta assinada por mais de 100 organizações humanitárias pede que Israel acabe com a "militarização da ajuda" na Faixa de Gaza. No documento, divulgado na quarta-feira (13), as entidades alegam que, apesar das declarações de Tel Aviv de que não há limite para a entrada de ajuda humanitária na região, a maioria dos grupos não conseguem entrar com suprimentos.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

“Israel rejeita pedidos de dezenas de ONGs para trazer produtos que salvam vidas, citando que essas organizações ‘não estão autorizadas a entregar ajuda’. Somente em julho, mais de 60 pedidos foram negados sob essa justificativa. Essa obstrução deixou milhões de dólares em alimentos, remédios, água e itens de abrigo presos em armazéns na Jordânia e no Egito, enquanto os palestinos estão morrendo de fome”, diz o texto.

Segundo as organizações, muitos dos grupos agora não autorizados a entregar ajuda humanitária em Gaza trabalham na região há décadas. A obstrução está ligada às novas regras de registro introduzidas pelas autoridades israelenses em março deste ano, que podem negar o cadastro das entidades “com base em critérios vagos e politizados”, como a suposta "deslegitimação" do Estado de Israel.

Para ter o trabalho autorizado em Gaza, os grupos alegam que precisam apresentar detalhes de doadores privados, listas completas de funcionários palestinos e outras informações confidenciais para a chamada verificação de "segurança". A exigência é considerada ilegal pelas ONGs, que citam as leis de proteção de dados relevantes, além de inseguro e incompatível com os princípios humanitários.

“Não temos garantias de que a entrega de tais informações não colocaria a equipe em maior risco ou seria usada para promover os objetivos militares e políticos declarados do governo de Israel. Hoje, os temores das ONGs se mostraram verdadeiros: o sistema de registro agora está sendo usado para bloquear ainda mais a ajuda e negar alimentos e remédios em meio ao pior cenário de fome”, disseram.

As denúncias contra Israel vêm aumentando desde março deste ano, quando o país retirou o bloqueio da entrada de ajuda humanitária em Gaza, após três meses em vigor. Desde então, o exército vem tentando substituir as organizações que atuam na região pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), alegando que o Hamas interrompe as redes de abastecimento dos grupos para lucrar com a ajuda.

A atitude é duramente criticada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que diz que a GHF não se prepara para distribuir os itens e que o exército direciona a população “usando tiros”. Dados do Ministério da Saúde palestino apontam que pelo menos 1.000 pessoas foram mortas e 6,5 mil ficaram feridas tentando receber ajuda humanitária desde o final de maio, sendo a maioria nos centros da GHF.

"É inaceitável que os palestinianos estejam a arriscar as suas vidas por comida. Apelo a uma investigação imediata e independente sobre estes acontecimentos e a que os autores sejam responsabilizados. Israel tem obrigações claras sob o direito internacional humanitário de concordar e facilitar a ajuda humanitária”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Imagem da notícia: Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Imagem da notícia: Tunísia demite técnico após goleada na estreia da Copa

Tunísia demite técnico após goleada na estreia da Copa

Imagem da notícia: Lobby regularizado ajudará interesse do Brasil, diz analista

Lobby regularizado ajudará interesse do Brasil, diz analista

Imagem da notícia: Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Imagem da notícia: Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Imagem da notícia: Tunísia demite técnico após goleada na estreia da Copa

Tunísia demite técnico após goleada na estreia da Copa

Imagem da notícia: Lobby regularizado ajudará interesse do Brasil, diz analista

Lobby regularizado ajudará interesse do Brasil, diz analista

Últimas notícias

Avião militar cai após decolagem nos EUA; 8 morrem

Bombardeiro da Força Aérea dos EUA realizava missão de teste de rotina quando caiu

Prestes a ser julgado, Eduardo pede aos EUA sanção a Moraes

Ex-deputado diz que julgamento por tentar atrapalhar processo que condenou seu pai a 27 anos de prisão é vingança contra Trump

PGR nega domiciliar a Vorcaro e não se opõe sobre Papuda

Gonet se manifestou contra domiciliar a banqueiro após negar proposta de delação

Bolsonaro pede a Moraes autorização para novos exames

Ex-presidente precisará fazer cinco procedimentos no DF Star; solicitação ocorre a 10 dias do fim da prisão domiciliar

Anac apura transporte irregular em colisão de helicópteros

Acidente aéreo matou seis pessoas, entre elas artistas, influenciadores e produtores de conteúdo

Vozinha ganha 1,4 milhão de seguidores após parar Espanha

Vozinha, goleiro de Cabo Verde segurou o forte ataque da seleção europeia, considerada uma das favoritas ao título da Copa do Mundo