Nobel da Paz 2026 pede que EUA defendam os direitos humanos
Jurista Navi Pillay, anunciada como vencedora do prêmio, lamentou sanções de Washington contra o Tribunal Penal Internacional

Jurista Navanethem "Navi" Pillay, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2026 | Reprodução/Reuters
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2026, Navanethem "Navi" Pillay, pediu que os Estados Unidos defendam os direitos humanos ao redor do mundo. A declaração foi dada pela jurista nesta terça-feira (13) durante uma entrevista em Haia, na Holanda, onde ela atua na Corte Internacional de Justiça, principal órgão judicial da Organização das Nações Unidas.
"Há uma completa reversão de todos os tratados e convenções aprovados pela ONU, a maioria deles liderada pelos Estados Unidos. Portanto, minha mensagem é que vocês precisam voltar a desempenhar seu papel sério como líderes, exercendo um papel libertador para o resto do mundo", disse Navi à equipe de reportagem da agência de notícias Reuters.
A jurista sul-africana foi anunciada pelo Comitê Norueguês como ganhadora do Prêmio Nobel da Paz na manhã de sexta-feira (9). Poucas horas depois, os Estados Unidos informaram que vão aplicar mais sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), onde Navi trabalhou como juíza na Câmara de Apelações de 2003 a 2008.
Ela acredita que o fato das sanções serem anunciadas por Washington logo após sua vitória no prêmio não foi uma mera coincidência. "Acho isso muito lamentável. No entanto, os planos de atacar a justiça penal internacional por meio do TPI vinham sendo arquitetados há muito tempo", analisou.
"Por isso, a primeira coisa que fiz ao retornar de Nuremberg para Haia foi ir até a equipe do TPI para demonstrar solidariedade ao seu trabalho na promoção da justiça penal internacional e na proteção daqueles que já foram sancionados", completou Navi.
As novas sanções impostas pela Casa Branca, que proíbem qualquer transação financeira de empresas privadas ou entidades sob jurisdição norte-americana com a corte internacional, vão passar a valer integralmente em seis meses. Anteriormente, Washingtonhavia aplicado penalidades similares a integrantes específicos do tribunal. Dessa vez, elas miram a instituição como um todo.
No mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram as sanções, o secretário de Estado Marco Rubio classificou o TPI como um "tribunal desonesto" que jamais teria permissão para processar cidadãos norte-americanos.
O Tribunal Penal Internacional foi fundado em 2002 para julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. A corte conta com 125 países-membros, inclusive todos os integrantes da Otan, a aliança militar ocidental, exceto os Estados Unidos. Nos últimos anos, os magistrados emitiram mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente russo Vladimir Putin, duas figuras que recentemente foram elogiadas pelo presidente Donald Trump. Israel e Rússia também não fazem parte do TPI.















