Quem é Navanethem Pillay, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz
Jurista combateu o apartheid na África do Sul e presidiu comissão que definiu atuação de Israel em Gaza como genocídio
A
André de Sena
Jurista Navanethem "Navi" Pillay, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 2026 | Reprodução/Reuters
O Comitê Norueguês anunciou nesta sexta-feira (9) que a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 por "seus esforços na promoção da paz e do direito internacional". Sua carreira foi marcada pela defesa dos direitos humanos e de grupos minoritários.
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Navi Pillay nasceu em Durban, na África do Sul, em 1941. Ela faz parte de uma família de origem tâmil. Os tâmeis são um grupo étnico originário dos sul da Índia e do Sri Lanka que era submetido à segregação racial no território sul-africano durante o regime do apartheid. Esse contexto de desigualdade em que cresceu influenciou sua trajetória profissional.
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Formou-se como bacharel em Direito na Universidade de Natal, na África do Sul, em 1965, e posteriormente prosseguiu seus estudos em Harvard, nos Estados Unidos, onde obteve seu doutorado em Ciências Jurídicas em 1988.
Em 1967, abriu seu próprio escritório de advocacia. Passou a defender os ativistas antiapartheid e pessoas perseguidas pelo governo da África do Sul, contestando práticas de prisão arbitrária, tortura e restrições ao direito de defesa. Chegou a representar integrantes do Congresso Nacional Africano, grupo ao qual Nelson Mandela pertencia.
O apartheid terminou oficialmente em 1994, quando Mandela foi eleito presidente. No ano seguinte, ele nomeou Navi para atuar como juíza interina na Suprema Corte da África do Sul.
Também em 1995, foi escolhida pela Assembleia Geral das Nações Unidas para integrar o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde atuou até 2003. Uma de suas principais contribuições foi o reconhecimento jurídico da violência sexual como instrumento de genocídio. Ela também participou do julgamento do ex-primeiro-ministro ruandense Jean Kambanda, condenado a prisão perpétua por genocídio e crimes contra a humanidade.
De 2003 a 2012, atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional. De 2008 a 2014, ocupou o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Seu trabalho foi marcado pelo enfrentamento do racismo, da discriminação contra minorias e pela promoção da igualdade de gênero.
A partir de 2021, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado, onde permaneceu até 2025. O grupo concluiu que grupos armados palestinos, como o Hamas, praticaram crimes de guerra e que o governo de Israel cometeu um genocídio contra os palestinos da faixa de Gaza, o que foi fortemente contestado pelas autoridades israelenses.
Nessa sexta-feira (9), o Ministério das Relações Exteriores de Israel publicou uma nota nas redes sociais criticando a entrega do Prêmio Nobel da Paz à jurista.
"Conceder o Prêmio Nobel da Paz a Pillay não é um reconhecimento da justiça. É a grotesca instrumentalização de um prêmio para legitimar o ódio e o preconceito anti-Israel", declara o governo israelense.
If there were an award for lies, hatred, and blood libels, Navi Pillay wouldn’t just be a contender. She’d be a frontrunner.
Her role in the relentless, politically motivated demonization of Israel and promotion of the genoLIE speaks volumes.
Awarding Pillay the Nobel Peace Prize isn’t a recognition of justice. It’s the grotesque weaponization of an award to legitimize anti-Israel hatred and prejudice.
Now that the Nobel commission has rewarded the biggest lie of the 21st century, Joseph Goebbels is certainly applauding from hell.
Além do Nobel da Paz, nesta semana foram anunciados os ganhadores das categorias de Medicina, Física, Química e Literatura. Ainda falta o vencedor do prêmio de Economia, que será anunciado na segunda-feira (12).
Quem é Navanethem Pillay, ganhadora do Prêmio Nobel da PazJurista combateu o apartheid na África do Sul e presidiu comissão que definiu atuação de Israel em Gaza como genocídioMundo2026-10-09T14:34:02.656ZO Comitê Norueguês anunciou nesta sexta-feira (9) que a jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 por "seus esforços na promoção da paz e do direito internacional". Sua carreira foi marcada pela defesa dos direitos humanos e de grupos minoritários. 🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Navi Pillay nasceu em Durban, na África do Sul, em 1941. Ela faz parte de uma família de origem tâmil. Os tâmeis são um grupo étnico originário dos sul da Índia e do Sri Lanka que era submetido à segregação racial no território sul-africano durante o regime do apartheid. Esse contexto de desigualdade em que cresceu influenciou sua trajetória profissional. Formou-se como bacharel em Direito na Universidade de Natal, na África do Sul, em 1965, e posteriormente prosseguiu seus estudos em Harvard, nos Estados Unidos, onde obteve seu doutorado em Ciências Jurídicas em 1988. Em 1967, abriu seu próprio escritório de advocacia. Passou a defender os ativistas antiapartheid e pessoas perseguidas pelo governo da África do Sul, contestando práticas de prisão arbitrária, tortura e restrições ao direito de defesa. Chegou a representar integrantes do Congresso Nacional Africano, grupo ao qual Nelson Mandela pertencia. Atuação como juíza O apartheid terminou oficialmente em 1994, quando Mandela foi eleito presidente. No ano seguinte, ele nomeou Navi para atuar como juíza interina na Suprema Corte da África do Sul. Também em 1995, foi escolhida pela Assembleia Geral das Nações Unidas para integrar o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde atuou até 2003. Uma de suas principais contribuições foi o reconhecimento jurídico da violência sexual como instrumento de genocídio. Ela também participou do julgamento do ex-primeiro-ministro ruandense Jean Kambanda, condenado a prisão perpétua por genocídio e crimes contra a humanidade. De 2003 a 2012, atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional. De 2008 a 2014, ocupou o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Seu trabalho foi marcado pelo enfrentamento do racismo, da discriminação contra minorias e pela promoção da igualdade de gênero. Genocídio palestino A partir de 2021, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado, onde permaneceu até 2025. O grupo concluiu que grupos armados palestinos, como o Hamas, praticaram crimes de guerra e que o governo de Israel cometeu um genocídio contra os palestinos da faixa de Gaza, o que foi fortemente contestado pelas autoridades israelenses. Nessa sexta-feira (9), o Ministério das Relações Exteriores de Israel publicou uma nota nas redes sociais criticando a entrega do Prêmio Nobel da Paz à jurista. "Conceder o Prêmio Nobel da Paz a Pillay não é um reconhecimento da justiça. É a grotesca instrumentalização de um prêmio para legitimar o ódio e o preconceito anti-Israel", declara o governo israelense. Atualmente, Navi atua como juíza no Tribunal Internacional de Justiça no caso em que , uma minoria étnica de predominantemente muçulmana que vive no estado de Rakhine. Além do Nobel da Paz, nesta semana foram anunciados os ganhadores das categorias de , , e . Ainda falta o vencedor do prêmio de Economia, que será anunciado na segunda-feira (12).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/quem-e-navanethem-pillay-ganhadora-do-premio-nobel-da-paz