Brasil

Canetas emagrecedoras podem reduzir consumo de álcool

Estudos apontam diminuição entre usuários de medicamentos GLP-1, mas médicos defendem avaliação individual

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Gabriel Durvalino

Conhecidas pelo uso no tratamento da obesidade e do diabetes, as chamadas canetas emagrecedoras passaram a chamar a atenção de pesquisadores por um possível efeito adicional: a redução do consumo de bebidas alcoólicas.

Estudos realizados nos Estados Unidos apontaram uma associação entre medicamentos da classe GLP-1 e a diminuição da ingestão de álcool. Uma das pesquisas analisou dados de 606 mil pacientes com diabetes tipo 2. O uso de medicamentos esteve associado a um risco 18% menor de desenvolver transtornos relacionados ao álcool. E ainda 14% em relação a drogas em geral.

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Outro estudo acompanhou 108 pessoas com obesidade e dependência de álcool. Parte do grupo recebeu semaglutida e outra parte recebeu placebo. Todos passaram por terapia psicológica.

Entre os participantes que receberam o medicamento, a proporção de dias de consumo excessivo de álcool caiu 41,1 pontos percentuais. No grupo que recebeu placebo, a redução foi de 26,4 pontos percentuais.

Os pesquisadores levantam a hipótese de que a ação dos medicamentos em mecanismos cerebrais ligados à fome e à recompensa também possa influenciar a vontade de consumir bebidas alcoólicas.

Diante dos resultados, alguns médicos já utilizam esses medicamentos de forma off-label, ou seja, para uma finalidade diferente daquela prevista na bula, em pacientes com sobrepeso e dependência de álcool.

Apesar dos resultados observados nos estudos, médicos reforçam que o tratamento deve ser individualizado. A recomendação apresentada é que as canetas não sejam utilizadas especificamente com o objetivo de reduzir o consumo de álcool, sem uma avaliação adequada para cada paciente.

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