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Navios dos EUA próximos à Venezuela recuam após ameaça de furacão

Expectativa é que frota retome missão contra narcotráfico no domingo (24); ação vem gerando tensão entre os países

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Camila Stucaluc
22/08/2025, 05:12 • Atualizado em 22/08/2025, 05:12
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USS Iwo Jima (LHD-7) da Marinha dos Estados Unidos | Wikimedia Commons

USS Iwo Jima (LHD-7) da Marinha dos Estados Unidos | Wikimedia Commons

Os navios militares norte-americanos enviados para operar no Caribe precisaram recuar e retornar aos Estados Unidos devido à aproximação do furacão Erin na região. Segundo o US Naval Institute, o Grupo Anfíbio de Prontidão de Iwo Jima chegou na base naval em Norfolk, na Virgínia, na quarta-feira (20).

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Os fuzileiros haviam deixado Norfolk cerca de cinco dias atrás, na primeira missão de um grupo anfíbio em oito meses. A frota, composta por três contratorpedeiros e 4,5 mil militares, se preparavam para uma operação contra o narcotráfico no sul da região caribenha, ordenada pelo governo de Donald Trump.

A expectativa é que os navios retomem a missão no domingo (24), quando o furacão começará a se afastar dos Estados Unidos. Dados do Serviço de Meteorologia apontam que, por enquanto, a tempestade provocará grandes ondas e correntes de retorno na costa leste do país, principalmente na Carolina do Norte.

A operação naval provocou tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela. Ao saber do envio dos navios ao sul da região caribenha, próxima à costa venezuelana, o presidente Nicolás Maduro ordenou a mobilização de 4,5 milhões de soldados da milícia para proteger o território e conter o que chamou de “ameaça de Washington”.

Em resposta, o governo Trump afirmou que está preparado para usar todos os meios para “impedir que as drogas inundem” o território norte-americano. Disse, ainda, que pretende levar os responsáveis pelo narcotráfico à Justiça, referindo-se à Maduro.

"O regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela. É um cartel de narcoterroristas. Maduro é a visão de que este governo não é um presidente legítimo. Ele é um chefe fugitivo desse cartel que foi indiciado nos Estados Unidos por tráfico de drogas para o país”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Levitt.

Demonstração de força

Para o professor João Alfredo Lopes Nyegray, especialista em Negócios Internacionais e Geopolítica, o discurso dos Estados Unidos trata-se de uma ação contra o narcotráfico, mas, na prática, também é uma demonstração de força, especialmente diante do alinhamento da Venezuela com Rússia, China e Irã. A pressão sobre Maduro, portanto, insere-se na política externa americana para dissuadir adversários.

Isso porque, além da missão naval, Washington anunciou uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura ou condenação de Maduro, metade do valor oferecido na época pela localização de Osama Bin Laden, então líder da Al-Qaeda. Nyegray aponta que a cifra não é apenas simbólica, mas revela a prioridade atribuída por Washington ao enfraquecimento do regime venezuelano.

A escalada da tensão entre os países coloca a América Latina novamente no radar das disputas geopolíticas globais. O cenário, segundo Nyegray, pode trazer instabilidade às cadeias de comércio, fluxos energéticos e até mesmo comprometer a integração regional. “É um ponto de atenção não só para Caracas e Washington, mas para todos os países vizinhos”, frisa o professor.

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