Mesmo com cessar-fogo, Israel alerta moradores a não retornarem ao sul do Líbano
Exército afirmou que continua posicionado na região "diante das atividades terroristas contínuas do Hezbollah"


Camila Stucaluc
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) emitiram um comunicado pedindo aos libaneses que não retornem ao sul do país. O alerta ocorre mesmo em meio ao cessar-fogo de 10 dias, acordado entre os países na tarde de quinta-feira (18).
“As IDF continuam mantendo suas posições no sul do Líbano diante das atividades terroristas contínuas do Hezbollah. Por preocupação com sua segurança e a dos membros de suas famílias - até novo aviso - é solicitado que vocês não se movam para o sul”, disse o porta-voz das IDF, Avichay Adraee.
Israel voltou a trocar hostilidades com o Hezbollah — grupo paramilitar com atuação no Líbano — em março. Os ataques começaram após os militantes, aliados do Irã, lançarem drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos contra Teerã, visando eliminar o programa nuclear do país.
Desde então, as tropas israelenses atuaram em todo o Líbano, incluindo na capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, que deixaram mais de 2,1 mil mortos e 7,1 mil feridos, os militares avançaram por terra no sul do país, visando expandir a zona de segurança. Em 24 de março, o governo israelense anunciou a ocupação militar da região.
A trégua de 10 dias foi anunciada após conversa entre o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em comunicado, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que vem mediando as conversas, afirmou que os países concordaram em estabelecer negociações para uma "paz duradoura" durante a vigência do cessar-fogo.
Um acordo de paz entre Líbano e Israel é um dos principais passos para destravar as negociações entre Estados Unidos e Irã, que aceitaram um cessar-fogo de 14 dias na última semana. Isso porque o Irã vinha acusando Israel de violar a trégua ao continuar atacando o Hezbollah no Líbano, país que, segundo o regime, havia sido incluído no acordo — afirmação negada por Tel Aviv e Washington.









