Trump diz que Irã concordou em não ter armas nucleares por 20 anos; país não se manifesta
Presidente dos EUA afirmou ter declaração com comprometimento formal; Teerã não confirma


SBT News
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (16) que o Irã concordou em não enriquecer urânio pelos próximos 20 anos, devolver o material que tem armazenado e, com isso, desistir de produzir armas nucleares no período. A declaração foi feita nos jardins da Casa Branca. O republicano deu a entender que, dado o compromisso iraniano, um acordo definitivo para encerrar a ofensiva americana e israelense no Oriente Médio está próximo. Teerã não confirmou as informações.
“Temos uma declaração, uma muito forte, de que eles não terão armas nucleares por mais de 20 anos", afirmou Trump, indicando que uma segunda rodada de negociações no Paquistão pode ocorrer durante o final de semana. “Eles estão dispostos a fazer coisas hoje que não estavam dispostos a fazer há dois meses", declarou.
Porém, conforme a Al Jazeera, o Irã recusou a oferta americana e insiste na manutenção de seu programa nuclear, que diz ter fins pacíficos. Apesar disso, o anúncio do cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano, sede do Hezbollah, nesta quinta foi bem-recebido pelo regime iraniano, que vê a iniciativa como um gesto de boa fé. O armistício entra em vigor a partir das 18h (no horário de Brasília), mas o governo de Benjamin Netanyahu anunciou que vai manter tropas em território libanês durante o período.
O encontro das delegações de Israel e Líbano ocorreu após Tel Aviv exigir negociações diretas com o Líbano por se recusar a sentar com o Hezbollah, milícia armada xiita patrocinada pelo Irã. Foi a primeira conversa de alto nível entre os países em 34 anos.
Mesmo com a expectativa pelo início do cessar-fogo, Israel manteve ataques durante a tarde e mirou zonas de lançamento do Hezbollah após o grupo libanês ter disparado foguetes contra o norte de Israel. Ao menos 3 pessoas foram mortas e 21 ficaram feridas.
Um acordo entre as partes é um dos principais passos para destravar as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, que concordaram em encerrar as hostilidades diretas por 14 dias na última semana após um ultimato dado por Trump. Isso porque o Irã acusa Israel de violar a trégua ao continuar atacando o Hezbollah no Líbano. Tel Aviv e Washington, por sua vez, negam que Beirute faça parte do cessar-fogo.
A primeira rodada de negociações entre Irã e EUA em Islamabad terminou sem conclusão no último fim de semana. Trump, então, ordenou que a Marinha norte-americana bloqueasse portos iranianos no Estreito de Ormuz para sufocar a economia do país persa ao impedir a cobrança de pedágios e a circulação de embarcações petrolíferas. O Irã diz que a ação não tem surtido efeitos.
O governo americano corre contra o tempo para solucionar o conflito iniciado em 28 de fevereiro e que pressiona a inflação doméstica do país, com o galão médio de gasolina passando de US$ 2,98 antes da guerra para US$ 4,09 agora.









