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Maduro acusa EUA de tentar mudar regime na Venezuela de forma "terrorista"

Presidente classificou operação naval norte-americana como "ilegal", sustentando que uso da força contra Estados soberanos é proibido

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Camila Stucaluc
23/08/2025, 11:51 • Atualizado em 23/08/2025, 11:51
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Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro | Divulgação/governo da Venezuela

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro | Divulgação/governo da Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou os Estados Unidos de procurarem uma “mudança de regime” no país de forma terrorista. A declaração, feita na sexta-feira (22), aconteceu em meio às movimentações de Washington para enviar navios militares ao sul da região caribenha, próxima à costa venezuelana.

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"O que ameaçam tentar fazer contra a Venezuela, uma mudança de regime, um golpe terrorista e militar, é imoral, criminoso e ilegal. O direito internacional proíbe a ameaça do uso da força contra Estados soberanos e o uso da força contra Estados soberanos", disse Maduro, em discurso televisionado.

Ao citar a proibição do uso da força contra Estados soberanos, Maduro relembrou episódios de agressão norte-americana contra países como Líbano, Síria, Irã, Vietnã, Iraque, Afeganistão e Líbia, que vitimaram milhares de pessoas. O chefe de Estado terminou agradecendo os governos que rejeitaram a possibilidade de um conflito armado na América do Sul.

"A Venezuela voltará a vencer, conquistará novamente a paz, a estabilidade, o crescimento, a harmonia entre todos os venezuelanos e todas as venezuelanas, em qualquer circunstância que tenhamos vivido, essa tem sido a fórmula, Deus está conosco, porque Deus está com os corajosos, com os justos", finalizou Maduro.

No início da semana, os Estados Unidos enviaram navios militares para operar no sul do Caribe. A frota, composta por três contratorpedeiros e 4,5 mil militares, se preparavam para uma operação contra o narcotráfico na região, ordenada pelo governo de Donald Trump. Os navios, no entanto, precisaram retornar ao país devido à passagem do furacão Erin.

A operação naval, que deve ser retomada no domingo (24), vem provocando tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela. Ao saber do envio dos navios, Maduro ordenou a mobilização de 4,5 milhões de soldados da milícia para proteger o território e conter o que chamou de “ameaça de Washington”. Em resposta, o governo Trump afirmou que está preparado para usar toda a “força” contra o presidente.

"O regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela. É um cartel de narcoterroristas. Maduro é a visão de que este governo não é um presidente legítimo. Ele é um chefe fugitivo desse cartel que foi indiciado nos Estados Unidos por tráfico de drogas para o país”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Levitt.

Demonstração de força

Para o professor João Alfredo Lopes Nyegray, especialista em Negócios Internacionais e Geopolítica, o discurso dos Estados Unidos trata-se de uma ação contra o narcotráfico, mas, na prática, também é uma demonstração de força, especialmente diante do alinhamento da Venezuela com Rússia, China e Irã. A pressão sobre Maduro, portanto, insere-se na política externa americana para dissuadir adversários.

Isso porque, além da missão naval, Washington anunciou uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura ou condenação de Maduro, metade do valor oferecido na época pela localização de Osama Bin Laden, então líder da Al-Qaeda. Nyegray aponta que a cifra não é apenas simbólica, mas revela a prioridade atribuída por Washington ao enfraquecimento do regime venezuelano.

A escalada da tensão entre os países coloca a América Latina novamente no radar das disputas geopolíticas globais. O cenário, segundo Nyegray, pode trazer instabilidade às cadeias de comércio, fluxos energéticos e até mesmo comprometer a integração regional. “É um ponto de atenção não só para Caracas e Washington, mas para todos os países vizinhos”, frisa o professor.

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