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Lula pode dar força à esquerda argentina, diz especialista

Professora da UFPR avalia que resultado eleitoral pode favorecer oposição a Javier Milei; fuga de Flávio Bolsonaro não deve abalar relações entre os países

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Hariane Bittencourt, Jessica Cardoso
O presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente Lula | Ricardo Stuckert/Presidência

O presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente Lula | Ricardo Stuckert/Presidência

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais brasileiras pode favorecer a reorganização da esquerda argentina e ampliar as chances de a oposição ao presidente Javier Milei voltar ao poder nas eleições de 2027. A avaliação é de Priscila Caneparo, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-doutora em direito internacional.

Em entrevista ao SBT News e ao SBT Brasil nesta quarta-feira (28), a especialista afirmou que já existe uma mobilização política contrária à reeleição de Milei, motivada por críticas à condução econômica e diplomática de seu governo.

“Já há um movimento muito grande na Argentina vinculado à ideia que o Milei não pode se reeleger [...], porque eles consideram que o governo, para além do quesito econômico, também tem sido um fracasso em termos diplomáticos”, disse.
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Caneparo lembrou que Milei declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) durante as eleições brasileiras e chegou a visitar o país para demonstrar seu alinhamento político com o senador.

Na avaliação da professora, o presidente argentino não esperava a vitória de Lula, resultado que, segundo ela, consolidou o Brasil como “um dos poucos bastiões da esquerda ainda na América Latina”.

Fuga de Flávio e a relação Brasil-Argentina

Sobre os impactos da fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, Caneparo considera improvável que a passagem do senador pela Argentina provoque mudanças significativas nas relações diplomáticas entre os dois países.

Para a especialista, o apoio dos governos de Javier Milei e Donald Trump a Flávio evidencia a articulação internacional de grupos de extrema direita.

“A extrema direita é uma rede mundial. Ela se ajuda muito fortemente nesses momentos de crise justamente por conta desse fortalecimento da ideologia não apenas em uma pessoa”, afirmou.

Caneparo pondera, no entanto, que o episódio pode gerar questionamentos sobre o cumprimento de acordos de cooperação internacional, caso seja comprovado que as autoridades argentinas tinham conhecimento da determinação judicial brasileira que proibia Flávio de deixar o país.

“Se, de fato, a Argentina sabia, a gente tem uma configuração não de um crime argentino, mas sim de um descumprimento de tratado, o que pode gerar, porventura, uma responsabilização internacional da Argentina em fóruns internacionais”, explicou.

Apesar dessa possibilidade, a professora considera improvável que o episódio comprometa as relações comerciais entre Brasil e Argentina. Ela destaca a interdependência econômica entre os países e a importância do Mercosul, especialmente diante do avanço do processo de ratificação do acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia (UE).

“Acho que vai acabar sendo uma rusga, mas que não vai impactar a ponto de garantir o estremecimento das relações diplomáticas, nem muito menos afetando a economia entre esses dois países”, concluiu.

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