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Líderes mundiais criticam 'tarifaço' de Trump e prometem retaliação

Presidente dos EUA determinou taxas de 10% a 50% para produtos de parceiros comerciais; Brasil está na lista

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Camila Stucaluc
03/04/2025, 06:44 • Atualizado em 03/04/2025, 07:24
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Presidente dos EUA, Donald Trump | Divulgação/White House

Presidente dos EUA, Donald Trump | Divulgação/White House

Líderes mundiais criticaram publicamente as novas tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2). Prometendo reduzir a dívida nacional e reequilibrar o comércio global, o republicano determinou taxação mínima de 10% para a maioria dos países, incluindo o Brasil, enquanto outros sofrerão com tarifas de até 50% para venderem seus produtos ao país.

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O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, foi um dos que criticaram o tarifaço de Trump, afirmando que o governo estuda medidas de retaliação O mesmo foi dito pelo gabinete de Taiwan, que chamou a taxação de "altamente irracional" e disse que "não reflete a situação econômica e comercial real entre Taiwan e os Estados Unidos". Uma reunião foi convocada para apresentar uma resposta.

O Ministério do Comércio da China, por sua vez, instou Washington a “revogar imediatamente as medidas tarifárias e resolver as disputas comerciais adequadamente por meio de diálogo com seus parceiros". Em nota, a pasta afirmou que “se opõe firmemente a esse movimento e tomará contramedidas resolutas para salvaguardar seus direitos e interesses”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi ainda mais rígida, dizendo que “se você enfrenta um de nós, enfrenta todos nós”. A diplomata lamentou a decisão de Trump e informou que o bloco já está finalizando o primeiro pacote de contramedidas. Para ela, as consequências da guerra comercial serão terríveis para milhões de pessoas e aumentará a incerteza global.

"As tarifas anunciadas pelos EUA são um grande golpe para empresas e consumidores em todo o mundo. Sejamos claros sobre as imensas consequências: a economia global sofrerá massivamente, a incerteza aumentará e desencadeará o aumento de mais protecionismo”, disse.

Na Suíça, a presidente Karin Keller-Sutter afirmou que determinará rapidamente os próximos passos do país em resposta à taxação de 31%. A primeira-ministra da Irlanda, Michelle O'Neill, disse que "continuará falando com políticos e líderes empresariais durante o período de incerteza" e que irá priorizar o futuro da ilha. "Devemos garantir que nossa economia continua a prosperar.”

Apesar de optar por não retaliar a taxação, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou as medidas de Trump como "totalmente injustificadas", afirmando que “este não é o ato de um amigo”. Já a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Laura Sarabia, afirmou que o governo está analisando as tarifas, “sobretudo para proteger a indústria nacional e os exportadores”.

Na Tailândia, o governo encorajou os exportadores a “buscar novos mercados potenciais para reduzir a dependência de um único mercado" e disse que preparou "medidas de mitigação" para apoiar os afetados. Enquanto isso, o primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, disse que buscará diálogo os Estados Unidos, defendendo que guerras comerciais "não são o caminho a seguir".

Brasil

No Brasil, o governo lamentou a taxação e disse que avalia todas as ações possíveis em resposta à medida. A nota conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério de Relações Exteriores afirma que a decisão de Trump viola os compromissos dos Estados Unidos com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e que o Brasil buscará defender os interesses nacionais.

“Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral”, diz o texto.

Nesse sentido, as pastas destacaram o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já aprovado pelo Congresso. O texto, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), permite ao Brasil adotar medidas contra países que imponham restrições às exportações brasileiras, sejam de natureza comercial (sobretaxas) ou de origem do produto (de área desmatada, por exemplo).

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