Julgamento da morte de Maradona é suspenso após erro médico
Exames atribuídos ao ex-jogador podem pertencer ao pai dele; promotor acusa a Swiss Medical de tentar comprometer o processo
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A
SBT Brasil, Agência EFE
O ex-jogador de futebol Diego Maradona
A Justiça da Argentina suspendeu temporariamente o julgamento que apura a responsabilidade pela morte de Diego Armando Maradona, após a descoberta de que exames médicos anexados à perícia podem pertencer ao pai do ex-jogador, que também se chamava Diego Maradona.
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A informação foi revelada durante o depoimento do nefrologista Hernán Trimarchi, integrante da Junta Médica criada para analisar as circunstâncias da morte do craque argentino.
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Segundo o depoimento, foram encontrados no processo dois números de associados diferentes, além de referências a exames realizados em Buenos Aires durante um período em que Maradona estava em Dubai.
A suspeita é que os documentos entregues pela empresa de saúde Swiss Medical à comissão médica, em 2021, correspondam ao prontuário do pai do ex-jogador, e não ao do atleta.
A possível troca colocou sob questionamento parte do relatório usado pela acusação contra os profissionais de saúde que acompanhavam Maradona.
O promotor Patricio Ferrari acusou a Swiss Medical de ter induzido a Justiça ao erro e afirmou que a empresa estaria tentando alterar o rumo do julgamento.
“Eles nos enganaram, cometeram um crime e agora querem virar o jogo no julgamento”, declarou.
Ferrari, no entanto, afirmou que a descoberta não deverá modificar o resultado da ação.
“O veredicto não vai ser revertido”, disse o promotor.
A Swiss Medical classificou o caso como um erro involuntário cometido pelo departamento de laboratórios da empresa.
Eduardo Ramírez, advogado de Diego Junior Maradona, filho do ex-jogador, pediu o afastamento de Nicolás D’Albora, defensor de Nancy Forlini e representante legal da Swiss Medical
Segundo Ramírez, a defesa teria agido de má-fé processual caso tivesse conhecimento do problema e aguardado uma eventual decisão desfavorável para apresentá-lo.
D’Albora negou qualquer tentativa de manipulação e afirmou que a inclusão dos exames ocorreu por um erro administrativo.
O advogado Fernando Burlando, que representa Dalma e Gianinna Maradona, também levantou suspeitas sobre a autenticidade do prontuário entregue ao Ministério Público. Ele apresentou uma imagem de um possível documento original que seria diferente da cópia incluída no processo.
Relatório médico é questionado
A Junta Médica concluiu que a equipe responsável pelo atendimento de Maradona teria adotado condutas “inadequadas, deficientes e imprudentes”.
O relatório é considerado uma das principais provas da acusação contra sete profissionais de saúde, entre eles o médico pessoal do ex-jogador, Leopoldo Luque, e a psiquiatra Agustina Cosachov.
Eles são acusados de negligência por supostamente não terem tomado medidas suficientes para socorrer Maradona, que teria passado dias em sofrimento antes de morrer.
O ex-jogador morreu em novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de insuficiência cardíaca.
Justiça pode determinar buscas na empresa
Entre as medidas que deverão ser analisadas pelo tribunal está um pedido de busca e apreensão nos escritórios da Swiss Medical e em duas unidades de saúde vinculadas à empresa, as clínicas Olivos e Los Arcos.
O objetivo é localizar documentos que possam esclarecer como os exames do pai de Maradona foram incluídos no processo e se houve alteração ou substituição de prontuários médicos.
O julgamento deve ser retomado na próxima semana, após a análise das novas medidas solicitadas pelas partes.
Primeiro julgamento foi anulado
O primeiro julgamento sobre a morte de Maradona começou em março de 2025, mas foi anulado dois meses depois.
A anulação ocorreu após a revelação de que a juíza Julieta Makintach teria participado de um documentário sobre o caso enquanto integrava o tribunal responsável pelo processo.
O novo julgamento foi iniciado em abril de 2026 e envolve sete profissionais acusados de homicídio por negligência.
A Justiça ainda deverá decidir se o erro nos exames compromete apenas parte da prova pericial ou se pode afetar a validade de outros elementos do processo.
Julgamento da morte de Maradona é suspenso após erro médicoExames atribuídos ao ex-jogador podem pertencer ao pai dele; promotor acusa a Swiss Medical de tentar comprometer o processoMundo2026-08-20T23:42:03.877ZA Justiça da Argentina suspendeu temporariamente o julgamento que apura a responsabilidade pela morte de Diego Armando Maradona, após a descoberta de que exames médicos anexados à perícia podem pertencer ao pai do ex-jogador, que também se chamava Diego Maradona. A informação foi revelada durante o depoimento do nefrologista Hernán Trimarchi, integrante da Junta Médica criada para analisar as circunstâncias da morte do craque argentino. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Segundo o depoimento, foram encontrados no processo dois números de associados diferentes, além de referências a exames realizados em Buenos Aires durante um período em que Maradona estava em Dubai. A suspeita é que os documentos entregues pela empresa de saúde Swiss Medical à comissão médica, em 2021, correspondam ao prontuário do pai do ex-jogador, e não ao do atleta. A possível troca colocou sob questionamento parte do relatório usado pela acusação contra os profissionais de saúde que acompanhavam Maradona. + Promotor acusa Swiss Medical O promotor Patricio Ferrari acusou a Swiss Medical de ter induzido a Justiça ao erro e afirmou que a empresa estaria tentando alterar o rumo do julgamento. “Eles nos enganaram, cometeram um crime e agora querem virar o jogo no julgamento”, declarou. Ferrari, no entanto, afirmou que a descoberta não deverá modificar o resultado da ação. “O veredicto não vai ser revertido”, disse o promotor. A Swiss Medical classificou o caso como um erro involuntário cometido pelo departamento de laboratórios da empresa. + Defesa pede afastamento de advogado Eduardo Ramírez, advogado de Diego Junior Maradona, filho do ex-jogador, pediu o afastamento de Nicolás D’Albora, defensor de Nancy Forlini e representante legal da Swiss Medical Segundo Ramírez, a defesa teria agido de má-fé processual caso tivesse conhecimento do problema e aguardado uma eventual decisão desfavorável para apresentá-lo. D’Albora negou qualquer tentativa de manipulação e afirmou que a inclusão dos exames ocorreu por um erro administrativo. O advogado Fernando Burlando, que representa Dalma e Gianinna Maradona, também levantou suspeitas sobre a autenticidade do prontuário entregue ao Ministério Público. Ele apresentou uma imagem de um possível documento original que seria diferente da cópia incluída no processo. Relatório médico é questionado A Junta Médica concluiu que a equipe responsável pelo atendimento de Maradona teria adotado condutas “inadequadas, deficientes e imprudentes”. O relatório é considerado uma das principais provas da acusação contra sete profissionais de saúde, entre eles o médico pessoal do ex-jogador, Leopoldo Luque, e a psiquiatra Agustina Cosachov. Eles são acusados de negligência por supostamente não terem tomado medidas suficientes para socorrer Maradona, que teria passado dias em sofrimento antes de morrer. O ex-jogador morreu em novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de insuficiência cardíaca. Justiça pode determinar buscas na empresa Entre as medidas que deverão ser analisadas pelo tribunal está um pedido de busca e apreensão nos escritórios da Swiss Medical e em duas unidades de saúde vinculadas à empresa, as clínicas Olivos e Los Arcos. O objetivo é localizar documentos que possam esclarecer como os exames do pai de Maradona foram incluídos no processo e se houve alteração ou substituição de prontuários médicos. O julgamento deve ser retomado na próxima semana, após a análise das novas medidas solicitadas pelas partes. Primeiro julgamento foi anulado O primeiro julgamento sobre a morte de Maradona começou em março de 2025, mas foi anulado dois meses depois. A anulação ocorreu após a revelação de que a juíza Julieta Makintach teria participado de um documentário sobre o caso enquanto integrava o tribunal responsável pelo processo. O novo julgamento foi iniciado em abril de 2026 e envolve sete profissionais acusados de homicídio por negligência. A Justiça ainda deverá decidir se o erro nos exames compromete apenas parte da prova pericial ou se pode afetar a validade de outros elementos do processo. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/julgamento-da-morte-de-maradona-e-suspenso-apos-erro-medico
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