Eleições

Vice de Marçal é réu por associação criminosa e fraude

Além das acusações, Leonardo Avalanche, presidente do PRTB, partido de Marçal, também teria uma suposta ligação com o PCC, o que ele nega

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Marcos Guedes
Leonardo Avalanche e Pablo Marçal na campanha de 2024         Reprodução

Leonardo Avalanche e Pablo Marçal na campanha de 2024 Reprodução

Leonardo Alves de Araújo, conhecido como Leonardo Avalanche, candidato a vice-presidente na chapa do PRTB, que tem Pablo Marçal como postulante à Presidência da República, é acusado pelo Ministério Público Eleitoral de associação criminosa, inserção de dados falsos em sistema da Justiça Eleitoral, violência política de gênero, ameaça e constrangimento ilegal. Além dele, outras seis pessoas são acusadas na ação.

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Procurado pelo SBT News, Avalanche negou ter cometido qualquer infração e disse que o caso é resultado de manipulação feita por adversários políticos (veja mais abaixo).

O processo ao qual o SBT News teve acesso tramita sob sigilo na Justiça Eleitoral. Os documentos descrevem Avalanche como o “mentor intelectual e principal beneficiário” de um esquema que envolveria falsificação de documentos, filiações fraudulentas, cobrança irregular de dinheiro e ameaças contra dirigentes. Segundo o Ministério Público, a articulação tinha como objetivo assumir o controle do PRTB e eliminar a oposição interna.

A acusação remonta a fatos ocorridos entre fevereiro e abril de 2024, período em que Avalanche disputou o comando nacional do partido, do qual ele é presidente até hoje. Segundo o Ministério Público, a operação teria começado com uma fraude na própria eleição interna da legenda.

Os documentos narram que Avalanche articulou com um terceiro o recrutamento de 20 a 35 pessoas para se passarem por fundadores do PRTB. Os falsos eleitores teriam recebido documentos de identidade falsificados, com as próprias fotografias, mas com dados pessoais de fundadores verdadeiros do partido. Eles também teriam sido treinados para reproduzir assinaturas e memorizar informações com o objetivo de enganar a fiscalização durante a votação.

Fraude não terminou após eleição, sustenta MP

Depois da vitória, Avalanche teria iniciado uma ofensiva para retirar do partido integrantes do grupo de Rachel de Carvalho, então vice-presidente nacional do PRTB. A denúncia afirma que o objetivo era consolidar o controle da legenda e promover a “mercantilização de cargos e candidaturas”, diz um trecho do documento.

Segundo a denúncia, Avalanche teria tentado convencer Rachel a participar de um esquema de cobrança de dinheiro de prefeitos do partido. Diante da recusa, teria feito ataques de caráter misógino.

Pablo Marçal em entrevista ao Poder Expresso | Foto: Reprodução/SBT News
Pablo Marçal em entrevista ao Poder Expresso | Foto: Reprodução/SBT News

“Mulher só serve para cumprir cota”, teria dito o dirigente, segundo o Ministério Público.

Na mesma reunião, ainda de acordo com a acusação, Avalanche teria feito uma ameaça de morte contra Rachel.

A frase atribuída a ele foi: “quando você receber uma ligação dizendo ‘pega tua vara e vai pescar’, pode se despedir dos seus familiares, porque você vai morrer”. A mesma frase foi confirmada por Rachel em conversa com a reportagem.

A ofensiva, segundo a acusação, continuou nas semanas seguintes até que Rachel foi destituída da presidência estadual do PRTB em São Paulo.

Manipulação e falsificação

A denúncia também aponta a manipulação na filiação de ao menos 77 pessoas a outro partido. Segundo o Ministério Público, Avalanche teria atuado em conjunto com dirigentes desse segundo partido para transferir Rachel e outros integrantes da oposição para a legenda, sem autorização. A acusação sustenta que a manobra provocaria automaticamente a desfiliação dessas pessoas do PRTB e permitiria retirar o grupo opositor da estrutura partidária.

Crime organizado e política

Na quarta-feira (19), em entrevista ao SBT News, Marçal também foi questionado sobre a suposta ligação de Avalanche com a facção criminosa conhecida como PCC, o Primeiro Comando da Capital. Sobre isso, ele afirmou que não existem processos a respeito dessa relação, embora, em gravações, o próprio dirigente tenha dito que teria influenciado na soltura de André do Rap, líder da facção criminosa.

Marçal ainda disse que a suposta conexão de Avalanche com a facção criminosa seria "uma ilação”, mas afirmou que não põe a mão no fogo pelo seu vice. “Não tenho certeza sobre terceiros não. Jamais", declarou.

A denúncia ao qual a coluna teve acesso também registra outros personagens que teriam se identificado como integrantes do PCC em episódios de pressão contra desafetos de Avalanche dentro do partido. Rachel teria sido uma dessas pessoas e sofrido ameaças.

Avalanche também aparece relacionado ao tema na própria denúncia. Segundo o documento, ele teria dito a Rachel que havia introduzido no partido pessoas ligadas ao crime organizado e tentou constrangê-la a participar da retirada desses indivíduos. Diante da recusa, teria afirmado que ela “pagaria um preço muito alto”.

Eleições anteriores

Avalanche é o atual candidato a vice-presidente na chapa de Pablo Marçal, que assumiu a cabeça da chapa horas antes do prazo final para o registro. Os dois já haviam trabalhado juntos na eleição municipal de 2024. Na ocasião, Avalanche foi coordenador da campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo.

Avalanche nega acusações e diz ser alvo de manipulação

Avalanche negou as acusações para a reportagem e afirmou que o caso é resultado de uma articulação de adversários. Ele disse que nunca ameaçou Rachel de Carvalho.

"Nunca a ameacei, nunca sequer houve alguma discussão acalorada entre nós, sempre a tratei com respeito e consideração, sempre reuni com ela na presença de seu esposo, Arthur, e outras pessoas", disse.

Avalanche também acusou Amauri Pinho, seu adversário no PRTB, de manipular pessoas e afirmou que ele estaria por trás de uma “organização criminosa”. Segundo o dirigente, Pinho teria tentado assumir o comando de outras legendas por meio de fraudes em atas e documentos.

Sobre a eleição interna do PRTB, Avalanche afirmou que o processo ocorreu “na maior lisura possível e de forma democrática”. Segundo ele, a votação foi conduzida pelo TSE, no TRE-DF, com participação da OAB, do Ministério Público e de outras entidades, além do uso de urna eletrônica disponibilizada pela Justiça Eleitoral.

Por fim, ele definiu as acusações de ligação com integrantes do crime organizado como histórias “criadas e orquestradas” por adversários.

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