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Juíza dos EUA manda reinstalar exposição sobre escravidão retirada após críticas de Trump

Decisão compara governo ao “Grande Irmão” de 1984, e determina retorno de mostra histórica na Filadélfia até fim do processo judicial

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Pessoas aproveitam o tempo no Parque Histórico Nacional da Independência, na Filadélfia, Pensilvânia, EUA, em 4 de julho de 2021 | Foto: reprodução/Reuters

Uma juíza federal na Pensilvânia, Estados Unidos, determinou nesta segunda-feira (17) que o Serviço Nacional de Parques reinstale uma exposição sobre a escravidão em um local histórico da Filadélfia até a conclusão do processo movido pela cidade contra o governo federal, após a retirada da mostra.

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A exposição havia sido desmontada no mês passado em resposta a declarações do presidente Donald Trump, que alegou haver uma “ideologia antiamericana” em instituições históricas e culturais — afirmação rejeitada por grupos de direitos civis.

“O governo afirma que detém sozinho o poder de apagar, alterar, remover e ocultar relatos históricos em monumentos financiados por contribuintes e por governos locais sob seu controle”, escreveu a juíza distrital Cynthia Rufe na decisão.

O Serviço Nacional de Parques e a cidade da Filadélfia não comentaram o caso. O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, que apoiou a ação judicial, comemorou a decisão.

“Aqui na Pensilvânia, aprendemos com a nossa história — mesmo quando ela é dolorosa”, escreveu na rede social X. “Não a apagamos. Donald Trump pode querer branquear nossa história compartilhada, mas não permitiremos que ele vença.”

Na ação, a cidade acusa o Departamento do Interior dos EUA, responsável pela supervisão do Serviço Nacional de Parques, e seus dirigentes de violarem a legislação.

A magistrada concedeu o pedido de bloqueio temporário da medida e determinou que a exposição seja restabelecida até o desfecho do processo.

“Como se o Ministério da Verdade, em ‘1984’, agora existisse, com seu lema ‘Ignorância é Força’, este tribunal é instado a determinar se o governo federal tem o poder que afirma ter — de desmontar e desmembrar verdades históricas quando detém algum domínio sobre fatos históricos”, escreveu Rufe na decisão de 40 páginas.

A mostra estava instalada na President’s House Site, no Independence National Historical Park, onde o primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, viveu quando a cidade era a capital do país. O espaço aborda a história da escravidão e a posse de pessoas escravizadas por Washington.

Nos últimos meses, Trump tem direcionado ações contra instituições norte-americanas — de museus a monumentos e parques nacionais — para remover o que classifica como “ideologia antiamericana”. Segundo defensores dos direitos civis, as medidas podem reverter décadas de avanços sociais e comprometer o reconhecimento de períodos cruciais da história dos Estados Unidos.

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