Receita Federal apreende 3 toneladas de substâncias para lança-perfume no Recife
Material seria utilizado na fabricação da droga conhecida como “loló”, proibida no Brasil e comum no período de Carnaval
Juliana Tourinho
No Recife, a Receita Federal apreendeu três toneladas de substâncias que seriam utilizadas na fabricação do entorpecente. Em Olinda, aproximadamente 120 litros foram recolhidos pelas autoridades.
Na última sexta-feira (13), cerca de 400 frascos da droga foram apreendidos na zona norte de São Paulo, e dois adolescentes foram detidos.
No Rio de Janeiro, um caso chamou atenção em Nova Friburgo, onde uma caixa contendo lança-perfume explodiu acidentalmente dentro de uma delegacia, evidenciando o alto risco associado ao material.
Proibição e efeitos da droga
O lança-perfume teve origem no início do século 20 e se popularizou nos bailes de Carnaval como uma forma de diversão entre foliões. No entanto, devido aos riscos à saúde e ao potencial de abuso, a produção, venda e porte da substância passaram a ser proibidos por lei.
Hoje, o produto é classificado como droga ilícita, e sua comercialização e uso são considerados crimes.
Segundo o toxicologista Álvaro Pulchinelli, os efeitos podem começar com sintomas aparentemente leves, mas evoluir rapidamente para situações graves.
“O uso pode causar irritação das vias aéreas, com sintomas como queimação, tosse, espirros e falta de ar. Em casos mais graves, a pessoa pode perder a consciência, entrar em coma e até morrer”, explica.
A substância é composta por elementos como cloreto de metila, clorofórmio e éter, que evaporam rapidamente e facilitam a inalação.
Inicialmente, o usuário pode sentir tontura e euforia, efeitos semelhantes aos da embriaguez. No entanto, o uso repetido pode provocar:
- Confusão mental
- Desorientação
- Depressão do sistema nervoso central
- Arritmias cardíacas
- Risco de morte súbita
Um estudo do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificou 166 compostos diferentes em amostras apreendidas, o que aumenta ainda mais a imprevisibilidade e os riscos à saúde.
O Carnaval é historicamente associado ao uso da substância, o que leva autoridades a intensificarem operações de fiscalização durante o período.
*Colaborou Antonio Souza









