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Itália prorroga restrição do fluxo de pessoas com a Espanha

Medida foi adotada por Giorgia Meloni depois da crise migratória em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África

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André de Sena, com informações da Reuters
Itália prorroga restrição do fluxo de pessoas com a Espanha

A Itália vai prorrogar por mais 15 dias a proibição da livre entrada de pessoas vindas da Espanha em seu território. O anúncio, feito por Roma nesta segunda-feira (31), é uma resposta ao aumento do fluxo de imigrantes que tentaram ingressar na União Europeia por Ceuta, enclave espanhol localizado na costa do norte da África.

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As restrições entraram em vigor no dia 1° de agosto e estavam previstas para serem encerradas nessa segunda-feira (31). Quando anunciou a medida, o governo italiano pretendia garantir que nenhum imigrante de Ceuta seguisse viagem para a Itália. A medida interfere no Espaço Schengen, zona que abrange 29 países europeus onde é permitida a livre circulação de pessoas sem controle de passaporte nas fronteiras.

Segundo o Ministério do Interior da Itália, a decisão de prorrogar a suspensão por mais 15 dias foi necessária "devido à persistência dos fatores que levaram à reintrodução das medidas”.

A primeira-ministra da Itália, Georgia Meloni, que já vinha adotando uma política linha dura no combate à imigração ilegal, se vê pressionada após a criação de um novo partido de extrema-direita no país, o Futuro Nazionale, fundado pelo general aposentado e eurodeputado Roberto Vannacci, que está conquistando apoio conforme se aproximam as eleições gerais previstas para 2027.

Resposta da Oposição

A oposição de centro-esquerda criticou a decisão tomada por Meloni, argumentando que o controle rígido para permitir a entrada de pessoas vindas da Espanha prejudicaria as relações com Madri e que não havia indícios de que os migrantes que entraram em Ceuta fossem viajar para a Itália.

Em resposta a Roma, o governo espanhol também vem adotando restrições à entrada de pessoas vindas da Itália em seu território. Nessa segunda-feira (31), o Ministério do Interior de Madri anunciou que vai prorrogar as verificações na fronteira "por mais 15 dias".

A medida foi colocada em prática pela Espanha em 8 de agosto. Antes de responder à suspensão imposta por Roma, Madri chegou a argumentar que a restrição é “injusta, discriminatória e contrária aos interesses da União Europeia”.

De acordo com as autoridades espanholas, entre 5 mil e 8 mil migrantes ainda permanecem em Ceuta. Na crise migratória ocorrida em 30 de julho, pelo menos 72 mil pessoas vindas do Marrocos cruzaram a fronteira. Foram confirmadas 82 mortes do lado espanhol e 14 do lado marroquino.

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