Eleições

Renan Santos: "Vou ter que sentar com ladrões do Centrão"

Candidato do Missão à Presidência da República afirmou que terá que negociar com parlamentares em eventual governo

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Ighor Nóbrega
Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão | Reprodução

Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão | Reprodução

Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, disse nesta segunda-feira (31) que a população deverá eleger “um monte de ladrões do Centrão” para o Congresso nas eleições deste ano.

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Apesar das críticas, Renan voltou a admitir que terá que negociar com os legisladores para compor seu eventual governo e para aprovar suas reformas. Entretanto, afirmou que não cederá a pressões do grupo político.

“Vou ter que sentar com os ladrões. Eles não brotaram do chão, eles foram eleitos. [...] Vou ter que lidar com isso da maneira mais realista possível”, declarou o candidato em sabatina ao jornal Gazeta do Povo.

“Não vou ceder em matéria ética e programa de governo. Agora, se quiser compor governo para tocar nosso programa, venha para o meu ministério! Tem benefício político dentro da lei. Mas roubar, não vai", completou.

Renan disse que os parlamentares, além de “bandidos”, são “desviadores de emendas”. Sobre este tema, o fundador do MBL é favorável à alteração da “lógica das emendas”, que deixariam de ser baseadas no aumento das receitas e passariam a se apoiar na quantidade de espaço discricionário no orçamento da União.

Ele defendeu a criação de um sistema de metas para prefeitos a respeito da boa aplicação dos recursos das emendas parlamentares. Essa competição, segundo ele, definiria a futura distribuição dos valores.

Na visão de Renan, um modelo do tipo tiraria dos parlamentares o controle sobre o orçamento e reduziria a corrupção sistêmica no país. O presidenciável destacou a importância de focar essa reforma na base para impedir a influência do Centrão, o que afetaria grandes empresários e até mesmo ministros do Supremo Tribunal Federal, em referência às fraudes do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Também sobraram novas críticas ao STF, que Renan classificou como “a expressão máxima do fim da república brasileira”. Ele afirmou ainda que a Corte não abre mão de seu “poder acumulado”.

O candidato lembrou que o presidente da República eleito poderá nomear até quatro novos ministros do Supremo. E afirmou que isso permitiria a formação de uma maioria alinhada no tribunal para passar o código de ética interno para os magistrados.

Renan disse que o STF hoje é dominado pelo “grupo de Gilmar Mendes” e que o futuro presidente terá a oportunidade de enfraquecer essa maioria. Citou ainda André Mendonça como expoente dessa nova frente na Corte.

“Compondo essa nova maioria – com Mendonca já são 5, mais um, seis – paralelamente tem que entrar um programa de reformas do STF junto ao Legislativo”, disse.

Dentre as reformas, destacou o fim das decisões monocráticas, a proibição de negócios entre investigados e escritórios ligados aos ministros e a transferência para outro tribunal a responsabilidade para julgar legisladores com foro privilegiado. Esse novo órgão seria composto por desembargadores via sorteio para mandatos de dois anos e sem custos extras aos cofres públicos, segundo ele.

Apesar das críticas, Renan disse que não pretende entrar em conflito com o Judiciário ao assumir o Executivo federal. Definiu o foco do seu governo no enfrentamento ao crime organizado, mas disse que “se o Supremo colocar pedra no sapato, vai ter enfrentamento”.

O STF não se manifestou.

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