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Itália suspende livre fluxo de pessoas com a Espanha

Ação temporária mira entrada de migrantes via Espanha após crise em Ceuta; governo Meloni fala em segurança e oposição critica medida

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Milhares de imigrantes atravessam para Ceuta a nado. | Reprodução/X - Reuters

Milhares de imigrantes atravessam para Ceuta a nado. | Reprodução/X - Reuters

A Itália anunciou nesta sexta-feira (31) a suspensão, por um mês, do regime de livre circulação do Espaço Schengen com a Espanha. A medida ocorre em resposta ao aumento no fluxo de migrantes provenientes do Marrocos que chegaram ao enclave espanhol de Ceuta.

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Segundo o governo italiano, a decisão não deve afetar cidadãos espanhóis ou de outros países da União Europeia que viajem para a Itália. Os controles serão direcionados a cidadãos de fora do bloco que cheguem da Espanha por via aérea ou marítima.

“Trata-se de uma medida extraordinária, adotada para salvaguardar a segurança nacional e prevenir possíveis repercussões para nossa nação”, afirmou a primeira-ministra Giorgia Meloni em publicação nas redes sociais.

Ela acrescentou que a medida será mantida apenas pelo tempo necessário e que haverá atenção para minimizar impactos sobre o turismo de verão.

Apesar de não compartilhar fronteira terrestre com a Espanha, a Itália informou ter articulado com a França o reforço dos controles na fronteira franco-italiana, com o objetivo de conter a circulação de migrantes sem documentação.

De acordo com a agência de notícias Ansa, a decisão foi tomada após conversa telefônica entre o ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, e o ministro francês responsável pela segurança, Laurent Nuñez, que discutiram o aumento da vigilância na fronteira entre os dois países.

A iniciativa ocorre mesmo após o governo espanhol afirmar que conseguiu reverter grande parte do fluxo migratório em Ceuta. Segundo Madri, a maioria das mais de 50 mil pessoas que cruzaram para o enclave retornou voluntariamente ao Marrocos.

Críticos do governo de direita de Meloni classificam as novas restrições como simbólicas, argumentando que não há evidências de que os migrantes em Ceuta pretendam seguir para a Itália.

A coalizão governista, no poder desde 2022 com a promessa de endurecer o combate à imigração irregular, enfrenta pressão de um novo partido de extrema-direita liderado pelo ex-general Roberto Vannacci, cuja retórica antimigratória tem ganhado espaço entre parte do eleitorado.

Com o tema migratório novamente em evidência, o governo italiano busca reforçar o discurso de segurança. Já a oposição de centro-esquerda acusa a gestão de adotar medidas populistas e de prejudicar as relações diplomáticas com a Espanha.

“O problema é que essa é uma proposta puramente demagógica, como de costume, destinada ao consumo interno e para competir com Vannacci, sem resolver absolutamente nada”, afirmou Piero De Luca, parlamentar do Partido Democrático.

O Espaço Schengen permite a livre circulação sem controle de passaporte entre 29 países europeus, embora autorize a reintrodução temporária de controles de fronteira em situações excepcionais, por razões de segurança ou ordem pública.

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