49 mil migrantes entraram em Ceuta em 24 horas; 34 morreram
Espanha e Marrocos reforçaram a segurança na fronteira após a maior onda migratória já registrada na região
Caroline Vale
49 mil migrantes chegam a Ceuta; 19 morrem na travessia. | Reprodução/Reuters
Pelo menos 34 migrantes morreram ao tentar atravessar a nado a fronteira entre Marrocos e a cidade autônoma espanhola de Ceuta, no norte da África, durante a maior onda migratória já registrada na região. Segundo o Departamento de Segurança Nacional da Espanha, com base em dados do Ministério do Interior, cerca de 49 mil pessoas entraram no território espanhol por mar e terra em apenas 24 horas.
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A crise migratória ganhou repercussão mundial após vídeos mostrando milhares de pessoas cruzando a fronteira viralizarem nas redes sociais nessa quinta-feira (30). Segundo o governo, cerca de 25 mil já retornaram voluntariamente ao Marrocos.
Os corpos das vítimas fatais foram encontrados nas proximidades do quebra-mar que separa o território marroquino do enclave espanhol, segundo autoridades espanholas, que não descartam o aumento do número de vítimas.
A maior parte das mortes ocorreu nas primeiras horas de quinta, quando milhares de pessoas tentaram alcançar Ceuta pelo mar. Mais tarde, parte dos migrantes passou a entrar por terra, contornando o quebra-mar e utilizando brechas na cerca de proteção da fronteira.
A operação de resgate mobilizou equipes da Guarda Civil e do Serviço de Salvamento Marítimo da Espanha. Com as novas vítimas, mais de 50 migrantes moreram neste ano tentando alcançar Ceuta pelo mar, superando os 46 registros de todo o ano de 2025. Somente em julho, 30 pessoas morreram afogadas durante tentativas de travessia.
Em resposta à situação, Espanha e Marrocos reforçaram a segurança na passagem fronteiriça de Tarajal. Do lado marroquino, caminhões com canhões de água foram mobilizados para conter novas tentativas de travessia, enquanto militares espanhóis ampliaram o patrulhamento na região.
As autoridades espanholas informaram que pretendem acelerar a expulsão de migrantes que entraram ilegalmente, apesar das restrições impostas por uma decisão recente do Supremo Tribunal da Espanha, que limita as devoluções imediatas de pessoas interceptadas no mar a caminho de Ceuta e Melilla.
Parte dos migrantes também começou a retornar voluntariamente ao Marrocos. Um deles, identificado apenas como Reda, da cidade de Tânger, afirmou à Reuters que a travessia foi traumática e fez um apelo para que outras pessoas não tentem o mesmo caminho.
"Para ser sincero, nem sei por que vim. Estou voltando agora. (...) O que estávamos fazendo não era nada bom, e também não era nada divertido. Além disso, pessoas estavam morrendo aqui. Eu imploro, por favor, se você ainda não veio, não venha. Não faça isso. Não vamos chatear nossos pais", declarou.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo classificou a situação como a maior crise migratória enfrentada pelo país desde, pelo menos, 2021.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia que possuem fronteira terrestre com a África e, historicamente, registram tentativas frequentes de entrada irregular de migrantes em busca de acesso ao continente europeu. No entanto, o volume registrado nesta semana é considerado sem precedentes.
* Com informações da Reuters e EFE.
49 mil migrantes entraram em Ceuta em 24 horas; 34 morreramEspanha e Marrocos reforçaram a segurança na fronteira após a maior onda migratória já registrada na regiãoMundo2026-07-31T11:27:28.017ZPelo menos 34 migrantes morreram ao tentar atravessar a nado a fronteira entre Marrocos e a cidade autônoma espanhola de Ceuta, no norte da África, durante a maior onda migratória já registrada na região. Segundo o Departamento de Segurança Nacional da Espanha, com base em dados do Ministério do Interior, cerca de 49 mil pessoas entraram no território espanhol por mar e terra em apenas 24 horas. A crise migratória ganhou repercussão mundial após viralizarem nas redes sociais nessa quinta-feira (30). Segundo o governo, cerca de 25 mil já retornaram voluntariamente ao Marrocos. Os corpos das vítimas fatais foram encontrados nas proximidades do quebra-mar que separa o território marroquino do enclave espanhol, segundo autoridades espanholas, que não descartam o aumento do número de vítimas. A maior parte das mortes ocorreu nas primeiras horas de quinta, quando milhares de pessoas tentaram alcançar Ceuta pelo mar. Mais tarde, parte dos migrantes passou a entrar por terra, contornando o quebra-mar e utilizando brechas na cerca de proteção da fronteira. A operação de resgate mobilizou equipes da Guarda Civil e do Serviço de Salvamento Marítimo da Espanha. Com as novas vítimas, mais de 50 migrantes moreram neste ano tentando alcançar Ceuta pelo mar, superando os 46 registros de todo o ano de 2025. Somente em julho, 30 pessoas morreram afogadas durante tentativas de travessia. Em resposta à situação, Espanha e Marrocos reforçaram a segurança na passagem fronteiriça de Tarajal. Do lado marroquino, caminhões com canhões de água foram mobilizados para conter novas tentativas de travessia, enquanto militares espanhóis ampliaram o patrulhamento na região. O que acontecerá com os migrantes As autoridades espanholas informaram que pretendem acelerar a expulsão de migrantes que entraram ilegalmente, apesar das restrições impostas por uma decisão recente do Supremo Tribunal da Espanha, que limita as devoluções imediatas de pessoas interceptadas no mar a caminho de Ceuta e Melilla. Parte dos migrantes também começou a retornar voluntariamente ao Marrocos. Um deles, identificado apenas como Reda, da cidade de Tânger, afirmou à Reuters que a travessia foi traumática e fez um apelo para que outras pessoas não tentem o mesmo caminho. "Para ser sincero, nem sei por que vim. Estou voltando agora. (...) O que estávamos fazendo não era nada bom, e também não era nada divertido. Além disso, pessoas estavam morrendo aqui. Eu imploro, por favor, se você ainda não veio, não venha. Não faça isso. Não vamos chatear nossos pais", declarou. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. O governo classificou a situação como a maior crise migratória enfrentada pelo país desde, pelo menos, 2021. Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia que possuem fronteira terrestre com a África e, historicamente, registram tentativas frequentes de entrada irregular de migrantes em busca de acesso ao continente europeu. No entanto, o volume registrado nesta semana é considerado sem precedentes. * Com informações da Reuters e EFE.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/49-mil-migrantes-entraram-em-ceuta-em-24-horas-19-morreram
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