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Irã afasta negociações com EUA após novos ataques

Porta-voz do governo disse que Teerã não cumprirá acordo caso Washington "viole suas obrigações"

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Camila Stucaluc
16/07/2026, 06:40 • Atualizado em 16/07/2026, 06:40
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Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei | Reuters

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei | Reuters

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou na quarta-feira (15) que o regime não tem planos para voltar a negociar com os Estados Unidos. A declaração foi dada à imprensa iraniana, após Washington lançar uma nova onda de ataques contra o país.

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“Depois que a outra parte violou suas obrigações, nós também nos abstivemos de implementar as nossas em qualquer área em que isso fosse exigido. Nossos compromissos permanecem em vigor apenas enquanto o outro lado cumprir suas promessas. Atualmente, não temos planos de negociação e continuamos focados na defesa do país”, disse Baghaei.

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar hostilidades na última semana, em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. A rota marítima, que fica entre o Irã e a Península Arábica, é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial.

O primeiro ataque foi feito por Washington, em retaliação ao que chamou de “ofensiva iraniana” contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz. Teerã respondeu lançando mísseis contra bases militares norte-americanas no Golfo Pérsico, resultando em novas retaliações.

Os ataques diários colocam em xeque o memorando de entendimento assinado pelos países em junho, que estipulou 60 dias de cessar-fogo para as delegações avançarem nas negociações para um acordo definitivo. Na última quarta-feira (8), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a trégua havia acabado.

Além do impacto militar na região, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta diretamente o mercado global de energia, pressionando os preços do petróleo. Na terça-feira (14), o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, subiu acima de US$ 86 pela primeira vez em um mês, depois de ter disparado 10% no dia anterior. Sem o impacto da guerra, o produto é cotado entre US$ 50 e US$ 75.

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