Política

Temer diz que carta pode violar cautelares de Bolsonaro

Ex-presidente afirma que divulgação de carta lida pelo senador Flávio Bolsonaro pode descumprir regras da prisão domiciliar e levar à revogação da medida

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Raquel Landim , Iander Porcella, Eduardo Gayer, Vicklin Moraes
16/07/2026, 01:52 • Atualizado em 16/07/2026, 02:09
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O ex-presidente Michel Temer afirmou que a carta lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante uma live transmitida no sábado (11), pode ter violado medidas cautelares impostas na prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Em entrevista exclusiva ao Poder Expresso nesta quarta-feira (15), Temer avaliou que, embora a Constituição garanta a liberdade de expressão, há limitações previstas no ordenamento jurídico. Segundo ele, a divulgação do conteúdo pode ter descumprido as regras estabelecidas pela Justiça.

“Ela [carta] violou talvez uma das cautelares determinadas quando se deu a prisão domiciliar do ex-presidente Bolsonaro. Se houve realmente violação a esse princípio, não poderia ser divulgado. E nós temos que compreender isso. O candidato é filho do ex-presidente. Talvez, conversando com o pai, o pai tenha dito: ‘Vou lhe dar uma carta para você deixar aí contigo’. E houve a divulgação. Porque, se houve violação das cautelares determinadas em face da prisão domiciliar, pode eventualmente perder a prisão domiciliar”, afirmou Temer.

Nesta quarta-feira (15), a defesa de Jair Bolsonaro disse, em manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente não estava ciente de que a carta seria divulgada pelo filho.

O episódio resultou na imposição de uma restrição de 90 dias a Flávio Bolsonaro por descumprimento da proibição de comunicação do ex-presidente pelas redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.

Flávio divulgou a carta escrita à mão em uma live, em formato semelhante ao adotado por Bolsonaro durante o período em que esteve na Presidência. No texto, o ex-presidente afirma estar “saudoso” do povo brasileiro e menciona a necessidade de “arregaçar as mangas” e deixar “de lado as possíveis diferenças” em prol da candidatura do filho — declaração interpretada como uma tentativa de pacificar a crise na pré-campanha, envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Como mostrou o SBT News, Flávio esteve na casa do pai, no Jardim Botânico, em Brasília, em um horário em que sabia que Michelle não estaria presente. Ele deixou o local com a carta manuscrita e convocou a transmissão ao vivo poucas horas depois.

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