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Human Rights Watch pede que ataque contra escola no Irã seja investigado como crime de guerra

Organização afirmou que instituição foi atingida por munições guiadas altamente precisas; EUA e Israel não reivindicaram ataque

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Camila Stucaluc
09/03/2026, 09:28 • Atualizado em 09/03/2026, 09:28
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Míssil atingiu escola primária feminina no sul do Irã | Reprodução

Míssil atingiu escola primária feminina no sul do Irã | Reprodução

A organização Human Rights Watch (HRW) pediu que o ataque contra a escola primária Shajareh Tayyebeh, no sul do Irã, seja investigado como crime de guerra. A instituição foi atingida em meio aos bombardeios coordenados entre Estados Unidos e Israel contra o país, no dia 28 de fevereiro, deixando ao menos 160 mortos.

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Segundo a HRW, a escola fica localizada na fronteira interna de um complexo das Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Informações revisadas, no entanto, mostram que a instituição é murada e possui uma entrada separada para a rua do restante do complexo.

Mapa da cidade de Minab, incluindo a Escola Shajareh Tayyebeh, o Complexo das Forças Navais do IRGC e o Cemitério Minab Hermud | HRW
Mapa da cidade de Minab, incluindo a Escola Shajareh Tayyebeh, o Complexo das Forças Navais do IRGC e o Cemitério Minab Hermud | HRW

Para os pesquisadores, isso indica que a escola foi atingida diretamente. Os pontos de entrada das munições visíveis em vários prédios do complexo apontam que o ataque foi realizado por munições guiadas altamente precisas, e não por armas errantes cujos sistemas de guiagem ou propulsão falharam ou foram interrompidos e atingiram aleatoriamente a área.

"É necessária uma investigação rápida e minuciosa sobre este ataque, inclusive se os responsáveis deveriam saber que havia uma escola lá e que estaria cheia de crianças e seus professores antes do meio-dia", disse Sophia Jones, pesquisadora de código aberto do Digital Investigations Lab da Human Rights Watch. "Os responsáveis por um ataque ilegal devem ser responsabilizados, incluindo processos contra qualquer pessoa responsável por crimes de guerra”, acrescentou.

Ela reforça que, mesmo que o ataque estivesse mirando um alvo militar legítimo nas proximidades da escola, a lei de guerra proíbe ataques a objetivos militares se o dano previsto a civis e objetos civis for desproporcional em relação ao ganho militar esperado com o ataque. O mesmo é dito para as autoridades iranianas, caso alguma instalação no complexo estivesse sendo usada para fins militares.

Até o momento, não houve reivindicação do ataque. Enquanto as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmaram não ter conhecimento sobre o caso, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse que estava investigando o ocorrido, mas que o exército norte-americano “nunca mirou em alvos civis”.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

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