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Human Rights Watch alerta para aumento do autoritarismo em mais de 100 países

Organização citou presidente dos EUA como líder do movimento, junto da Rússia e China

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

A organização internacional Human Rights Watch (HRW) alertou para uma recessão democrática no mundo, com 72% da população vivendo sob autocracias. A conclusão faz parte do relatório anual da entidade, divulgado nesta quarta-feira (4), que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países.

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No documento, a organização cita o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como líder do movimento, dizendo que o republicano encorajou líderes autoritários e minou aliados democráticos. Os pesquisadores apontam que, em apenas 12 meses de governo, Trump realizou um amplo ataque aos pilares-chave da democracia e à ordem global.

Os discursos abordando a desconfiança no processo eleitoral e os ataques à independência judicial norte-americana são alguns dos pontos citados no documento. A organização também menciona o uso do poder para intimidar opositores políticos, a mídia, escritórios de advocacia, universidades, sociedade civil e comediantes.

Em relação à violação dos direitos humanos, a HRW menciona a redução aos subsídios à saúde, a reversão dos direitos das mulheres e ao encerramento de programas voltados à proteção de pessoas com deficiência e pessoas trans e intersexo. A entidade ainda reforça a violência das políticas anti-imigração de Trump, que já resultou na morte de duas pessoas em Minneapolis.

Na política externa, o documento destaca a operação militar na Venezuela, realizada no dia 3 de janeiro, que terminou com a captura do ditador Nicolás Maduro sob acusações de narcoterrorismo. Para os pesquisadores, muitos aliados ocidentais optaram por permanecer em silêncio sobre o caso, “talvez temendo tarifas erráticas e consequências para suas alianças”.

“A política externa de Trump abalou os alicerces da ordem baseada em regras que busca avançar a democracia e os direitos humanos, mesmo que de forma imperfeita. Trump se gabou de que não ‘precisa do direito internacional’ como restrição, apenas de sua ‘própria moralidade’”, pontua Philippe Bolopion, Diretor Executivo da HRW.

Segundo ele, a gestão de Trump é marcada por incoerências. Enquanto repreendeu alguns líderes eleitos da Europa Ocidental, o republicaco expressou admiração pela extrema-direita nativista da Europa, favorecendo autocratas como o primeiro-ministro da Hungria Viktor Orban, o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoğan, o presidente de El Salvador Nayib Bukele e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman.

No Território Palestino Ocupado, as forças armadas israelenses cometeram atos de genocídio, limpeza étnica e crimes contra a humanidade, matando mais de 70 mil pessoas desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em outubro de 2023. Apesar de mediar um acordo de cessar-fogo, a HRW aponta que Trump não condenou os atos israelenses e continuou apoiando o país, inclusive com a venda de armas.

Um caso similar foi observado na Ucrânia, onde o presidente norte-americano também tenta negociar um acordo de paz. A organização aponta que o republicano têm minimizado consistentemente a responsabilidade da Rússia por violações graves, como bombardeios indiscriminados, coação de ucranianos em áreas ocupadas, tortura de prisioneiros de guerra, sequestro e deportação de crianças.

“A mensagem é clara: na nova desordem mundial de Trump, a força faz a razão e atrocidades não são fatores decisivos. Como a história mostra, aspirantes a autocratas nunca param em ‘outros’. Para preencher esse vazio, há uma necessidade urgente de uma nova aliança global para apoiar os direitos humanos internacionais dentro de uma ordem baseada em regras”, avalia Bolopion.

Além dos Estados Unidos, o relatório cita Rússia e China como parte do movimento autoritário. Para os pesquisadores, os países têm muito a ganhar com a administração de Trump, que, nas palavras deles, “expressa hostilidade aberta aos direitos universais”. O cenário também pode beneficiar Coreia do Norte, Irã, Mianmar, Cuba e Bielorrússia, que trabalham em conjunto com Moscou e Pequim.

“Esses líderes compartilham muito pouco ideologicamente, mas se alinham em minar os direitos humanos e promover uma agenda internacional regressiva. Na prática, o governo dos Estados Unidos agora os ajuda nessa empreitada”, explica Bolopion. “A democracia agora voltou aos níveis de 1985, segundo algumas métricas, com 72% da população mundial vivendo sob autocracia. Rússia e China são menos livres hoje do que há 20 anos. E os Estados Unidos também”, conclui.

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