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Trump cita o Brasil para defender política de tarifas em discurso no Congresso dos EUA

Presidente falou sob aplausos de republicanos e protestos de democratas

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Camila Stucaluc
05/03/2025, 05:26 • Atualizado em 05/03/2025, 11:54
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Presidente Donald Trump em discurso no Congresso | Divulgação/Casa Branca

Presidente Donald Trump em discurso no Congresso | Divulgação/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez seu primeiro discurso diante do Congresso nesta terça-feira (4). Sob aplausos de republicanos e protestos de democratas, o chefe de Estado citou seus feitos nos campos da economia e diversidade, e comentou sobre pautas polêmicas, como a guerra tarifária, imigração e Ucrânia.

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O discurso começou com tensão. Ao começar a falar sobre as mudanças feitas nas primeiras seis semanas de governo para a tão prometida “era de ouro da América”, Trump foi interrompido pelo democrata Al Green, que se recusou a sentar. Em meio à resistência, o congressista foi expulso do Plenário pelo presidente da Câmara, Mike Johnson.

"Os membros são instruídos a manter e manter o decoro na casa e cessar quaisquer interrupções adicionais. Esse é o seu aviso", alertou Johnson.

Após o impasse, Trump voltou a discursar. A divisão entre democratas e republicanos, no entanto, continuou clara. Enquanto o lado aliado do presidente aplaudia e vibrava a cada declaração, os opositores continuavam sentados e sem expressão. Eles também carregavam placas que diziam “isso não é normal”, “Musk rouba” e “isso é falso”.

"Mais uma vez, olho para os democratas na minha frente e vejo que não há nada que eu possa fazer que vá fazer com que eles sorriam ou aplaudam. É a quinta vez que estou aqui, e é sempre a mesma coisa. Posso curar a pior doença que existe, e essas pessoas aqui não vão bater palmas, não vão se levantar e me apoiar. É muito triste”, disse Trump.

Democratas sentados enquanto republicanos aplaudem Trump de pé | Reprodução
Democratas sentados enquanto republicanos aplaudem Trump de pé | Reprodução

Imigração

Uma das primeiras pautas de Trump foi a imigração. O republicano voltou a pontuar que militares foram enviados à fronteira entre Estados Unidos e México para evitar a entrada de imigrantes ilegais e que a “maior deportação da história do país” está em andamento. “Vamos acabar com a invasão do nosso país”, frisou.

Trump ainda comentou sobre a lei Laken Riley, que determina a detenção de imigrantes ilegais acusados de crimes como furto, roubo e arrombamento. A medida foi nomeada em homenagem à estudante de enfermagem Laken Riley, morta em 2024 pelo venezuelano José Ibarra, que estava ilegalmente no país e tinha passagem por roubo.

"No governo Biden, havia centenas de milhares de travessias ilegais e quase todas incluíam assassinos, traficantes, membros de gangue, estupradores, pessoas que saíram de instituições psiquiátricas, todas elas foram soltas dentro do nosso país”, disse Trump. "Estamos tirando-as e estamos tirando-as rapidamente”, acrescentou.

Diversidade

O discurso também abordou questões sociais, com Trump divulgando seus esforços para acabar com as iniciativas de diversidade. Entre elas estão a lei que proíbe que meninas e mulheres transgênero participem de competições esportivas femininas, e a ordem que veta mulheres trans de cumprirem penas em presídios femininos.

"Nós acabamos com a tirania da chamada política de Diversidade, Equidade e Inclusão [DEI] de todo o governo federal", disse o republicano, ressaltando a ordem executiva de reconhecer oficialmente que existem apenas dois sexos.

Na fala, Trump aproveitou para agradecer ao bilionário e chefe do Departamento de Eficiência Governamental, Elon Musk, por seu trabalho no governo. Ele citou os cortes de gastos promovidos pelo departamento – a maioria ligado a políticas de inclusão e diversidade, direitos humanos e projetos para imigrantes.

Guerra tarifária

O presidente citou o Brasil, junto da União Europeia, China, Índia, Canadá e México, para defender sua política de tarifas. Nesta semana, entrou em vigor a lei que impõe taxas de 25% sobre produtos do México e do Canadá, bem como a medida que dobra para 20% a tarifa sobre as importações chinesas. Os países prometeram responder.

"Onde quer que imponham tarifas contra nós, nós vamos impor tarifas contra eles. Onde quer que eles nos taxem, vamos taxá-los. Todos os países se aproveitaram de nós por muitos anos, mas isso não vai mais acontecer. As tarifas são para tornar a América rica novamente. Haverá alguma dificuldade, mas não vai ser muita", disse Trump.

Ucrânia

Ao falar de política externa, Trump reforçou que está trabalhando “sem medir esforços” para acabar com a guerra na Ucrânia. Ele disse que recebeu uma carta de Volodymyr Zelensky, na qual o líder ucraniano lamentou a discussão ocorrida na última sexta-feira (28), na Casa Branca, e disse estar pronto para trabalhar sob a liderança de Washington.

"Estou trabalhando sem medir esforços para acabar com o conflito terrível na Ucrânia. Milhões de ucranianos e russos foram mortos sem necessidade nesse conflito terrível que parece não ter fim”, disse o presidente, acrescentando que teve conversas com a Rússia que "sinalizaram que eles estão prontos para a paz".

Trump disse ainda que a Ucrânia está pronta para assinar um acordo para a exploração de minerais estratégicos. A medida, que estava programada para ser assinada no dia do bate boca na Casa Branca, foi proposta pelo republicano, visando recompensar os Estados Unidos pelo apoio militar enviado à Ucrânia desde o início da invasão russa.

“Era de ouro da América”

Ao concluir o discurso, Trump repetiu a promessa da “era de ouro da América”. Citando que seu governo fez “mais em 43 dias do que a maioria das administrações realizou em quatro ou oito anos”, o republicano frisou que esse é “apenas o começo”.

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