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Como o plano de deportação em massa de Trump pode impactar os EUA?

Presidente eleito prometeu grande operação para expulsar imigrantes ilegais já em 2025

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Camila Stucaluc
13/11/2024, 12:51 • Atualizado em 13/11/2024, 12:51
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Presidente eleito Donald Trump | Divulgação/Casa Branca

Presidente eleito Donald Trump | Divulgação/Casa Branca

Donald Trump ganhou um segundo mandato na Casa Branca devido às suas promessas ambiciosas de campanha. Entre elas está a maior deportação em massa de imigrantes ilegais da história dos Estados Unidos, que, segundo o republicano, deve ser lançada logo no primeiro dia de governo – em janeiro de 2025. Apesar do forte apoio, especialistas apontam que a operação pode trazer impactos significativos para o país.

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Atualmente, há cerca de 11,3 milhões de imigrantes não documentados nos Estados Unidos, sendo que 7 milhões realizam algum tipo de trabalho no país. Logo, o primeiro impacto seria no mercado de trabalho, como pontua Andressa Mendes, doutoranda no Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas e pesquisadora colaboradora do Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU).

“Isso se dá pelo fato de os imigrantes sustentarem grande parte do mercado de trabalho nos Estados Unidos – em especial, no âmbito das indústrias de construção, setores de habitação e agricultura. Há de se considerar, ainda, que Trump tem dito deportar não só imigrantes não documentados, mas também aqueles que cruzaram recentemente a fronteira e trabalhadores temporários”, explica Andressa.

A remoção de tantos trabalhadores em um curto período de tempo aumentaria a escassez de mão de obra no país. Uma pesquisa do Conselho Americano de Imigração (AIC) mostra que 14% dos funcionários da construção civil, por exemplo, são imigrantes indocumentados. O corte de trabalhadores aumentaria os custos e atrasaria a entrega de obras. O mesmo pode acontecer no setor agrícola, que perderia um em cada oito trabalhadores.

Segundo Andressa, tal escassez de mão de obra impactaria, consequentemente, na economia, já que a contribuição dos imigrantes ajuda a manter a inflação controlada. “As consequências são aumento dos preços de produtos, diminuição do salário e diminuição de financiamento para programas de segurança social [Previdência social e Medicare] devido à diminuição dos impostos federais pagos pelos imigrantes”, diz a especialista.

O cenário ainda afetaria 1 milhão de empresários imigrantes indocumentados, que geraram US$ 27,1 bilhões em receita em 2022 e fornecem empregos para trabalhadores norte-americanos. Cerca de 30% destes empreendedores trabalham na construção, 18,7% em serviços profissionais e 16,6% em serviços gerais. Também estão na lista 157,8 mil empresas de serviços essenciais, como mercearias e postos de combustível.

O impacto negativo seria mais significativo na Califórnia, Texas e Flórida – que, em 2022, abrigavam 47,2% dos imigrantes indocumentados do país e onde um em cada 20 residentes seria deportado. No geral, a deportação levaria a uma perda de 4,2% a 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) anual dos Estados Unidos – queda próxima aos 4,3% registrados durante a Grande Recessão, entre 2007 e 2009.

Além das perdas econômicas, a política de deportação em massa de Trump, baseana na “Operação Wetback”, de 1954, seria extremamente cara para o país. A realização de 1 milhão de deportações por ano, como o vice-presidente eleito JD Vance chegou a sugerir, pode custar US$ 967,9 bilhões em uma década, de acordo com análise do AIC.

“Esta é uma soma muito maior do que a estimativa única, dados os custos de longo prazo de estabelecer e manter instalações de detenção e campos temporários para poder deter um milhão de pessoas por vez. Isso exigiria que os Estados Unidos construíssem e mantivessem 24 vezes mais capacidade de detenção do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) do que existe nos dias de hoje”, diz a pesquisa.

Andressa ressalta que mesmo que o Congresso, controlado pelos republicanos, estivesse disposto a alocar os fundos, os novos casos chegariam a um sistema judicial de imigração já sobrecarregado, uma vez que há um acúmulo de quase 3,7 milhões de casos não resolvidos neste âmbito. Com isso, o AIC aponta que seria necessário estabelecer mais de 1.000 novos tribunais de imigração para avaliar as deportações.

Fora o setor econômico, a deportação em massa poderia provocar uma tensão interna no país, já que afetaria a vida de milhares de pessoas, inclusive de imigrantes legais. Atualmente, cerca de 8,5 milhões de cidadãos norte-americanos fazem parte de famílias de status misto, ou seja, com imigrantes indocumentados, sendo 5,1 milhões crianças.

A ideia de separar essas famílias levaria a um grande estresse emocional, o que poderia resultar em resistência por parte de membros da sociedade civil e política não só dos Estados Unidos, como no mundo. “Sindicatos mexicano-americanos, atuantes no campo pró-imigrante, a população estadunidense, políticos e líderes anti-Trump e pró-imigrantes entre outros, podem [e devem] apresentar-se resistentes a tal política. O impacto prático dessa resistência é algo a ser discutido, mas ele existe”, avalia Andressa.

Externo aos Estados Unidos, há um possível impacto nas relações entre o país e outros no sistema internacional, em especial o México. A maioria dos imigrantes que chega ao território norte-americano vem da América Latina ou da Ásia, incluindo os não documentados. A proposta de Trump é deportá-los para o México, o que geraria um conflito com o país, que pode se recusar a receber migrantes não mexicanos.

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