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"Operação Wetback": Conheça a base para o plano de deportação em massa de Trump

Implementada na década de 1950, ação foi responsável pela expulsão de 1,3 milhão de imigrantes ilegais nos EUA

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Camila Stucaluc
12/11/2024, 11:28 • Atualizado em 12/11/2024, 11:28
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Presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump | Flickr

Presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump | Flickr

A deportação em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos será uma das prioridades do governo de Donald Trump. O plano voltou a ser citado pelo republicano nesta semana, ao anunciar a volta de Tom Homan à agência de fronteira e imigração do país. Conhecido como “czar das fronteiras”, Homan foi encarregado de coordenar a operação.

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A expulsão em massa de imigrantes ilegais vem sendo fomentada por Trump desde 2023, quando o republicano começou os comícios de campanha. Nos eventos, ele fez diversas críticas ao presidente Joe Biden por deixar os Estados Unidos chegarem a uma crise migratória sem precedentes, classificando o cenário como “violação do país”.

Falando sobre o plano de deportação, Trump citou o nome do ex-presidente Dwight Eisenhower mais de uma vez. Isso porque a ideia do republicano é basear a ação na “Operação Wetback”, implementada por Eisenhower no verão de 1954.

O intuito da manobra era acabar com a imigração indocumentada. O termo "wetback ("costas molhadas", na tradução livre em português), era um insulto usado para se referir aos imigrantes que cruzavam o Rio Bravo – localizado na fronteira entre Estados Unidos e México – e chegavam molhados ao território norte-americano.

Eisenhower pensou na operação devido às lacunas do Programa Bracero, em que mexicanos foram convidados a trabalhar em contratos de curto prazo para suprir a escassez de mão de obra agrícola no pós-Segunda Guerra Mundial. Para evitar burocracias, muitos produtores optavam por contratar trabalhadores ilegais, o que acabou aumentando o número de imigrantes sem documentação no país.

A operação foi implementada, especialmente, em estados como Texas, Califórnia e Arizona, que fazem fronteira com o México. As deportações forçadas ocorriam por meio da atuação do Serviço de Imigração e Naturalização (INS), que realizava batidas em fazendas, fábricas e restaurantes para identificar imigrantes indocumentados.

Uma vez detidos, os imigrantes eram levados para acampamentos improvisados até serem deportados. O transporte para o outro lado da fronteira era feito por meio de ônibus, caminhões e barcos, que, muitas vezes, deixavam os grupos em locais inapropriados. Em um caso, por exemplo, 88 pessoas morreram de insolação após serem deixadas no deserto mexicano, onde as temperaturas atingiam mais de 100ºC.

Imigrantes mexicanos em um caminhão para deportação na Operação Wetback | Wikimedia Commons
Imigrantes mexicanos em um caminhão para deportação na Operação Wetback | Wikimedia Commons

Ao todo, a “Operação Wetback” durou um ano, sendo suspensa após os produtores agrícolas começarem a cumprir o programa Bracero – isto é, contratando apenas trabalhadores mexicanos legais. Foram cerca de 1,3 milhões de deportações, sendo a maior operação de deportação da história dos Estados Unidos.

O que diz Homan?

Questionado sobre as intenções de Trump, Homan disse que uma operação de deportação em massa seria baseada em prisões direcionadas. “Não é certo entrar ilegalmente em um país, o que é um crime. É isso que impulsiona a imigração ilegal, quando não há consequências”, disse o futuro chefe de fronteiras, em entrevista à CBS.

A fala foi feita em referência à atual política do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), que tem como principal alvo imigrantes que acabaram de cruzar a fronteira ilegalmente ou que sejam considerados ameaças à segurança nacional ou à segurança pública. Com isso, Homan disse que espera superar os números da “Operação Wetback”, conquistando um novo recorde de deportação em massa.

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