Fundação Gates anuncia revisão externa sobre vínculos com Epstein
Organização está envolvida em controvérsias devido à associação de Bill Gates ao criminoso sexual; avaliação visa reforçar políticas de parcerias


Camila Stucaluc
A Fundação Gates iniciou uma revisão externa sobre seu relacionamento com Jeffrey Epstein — falecido empresário condenado por tráfico sexual de menores de idade. A medida foi anunciada na noite de terça-feira (21), pela própria organização.
Criada pelo fundador e ex-presidente da Microsoft, Bill Gates, e sua ex-esposa, Melinda Gates, a Fundação Gates está envolvida em controvérsias devido à divulgação de arquivos do caso Epstein pelo governo dos Estados Unidos. Os documentos revelaram e-mails entre funcionários da organização e Epstein, além de fotos que confirmaram a relação entre Gates e o criminoso.
Segundo a fundação, a análise externa foi solicitada para avaliar interações passadas e reforçar políticas de verificação de parcerias. “Essa revisão está em andamento, e esperamos que o conselho e a administração recebam uma atualização neste verão”, disse a organização, em comunicado.
Mais cedo, o The Wall Street Journal havia noticiado um e-mail enviado para funcionários da fundação, no qual anunciava a revisão dos vínculos de Epstein e cortes de empregos. O jornal afirmou que a fundação, que tem um orçamento para 2026 de cerca de US$ 9 bilhões, planeja limitar os custos operacionais a US$ 1,25 bilhão. A previsão é que 20% da equipe seja demitida até 2030.
Quem foi Jeffrey Epstein?
Jeffrey Epstein foi um criminoso sexual e magnata financista norte-americano, conhecido por suas conexões com figuras influentes da política, do entretenimento e dos negócios.
Ele foi preso pela primeira vez em 2008, quando admitiu ter solicitado a prostituição de uma menor de idade. Em julho de 2019, o bilionário foi preso novamente sob acusações de abuso e tráfico sexual de menores, com mais de 250 possíveis vítimas. Um mês depois, em agosto, ele foi encontrado morto dentro de sua cela com indícios de suicídio.
O caso voltou a repercutir em 2024, quando a Justiça retirou o sigilo de centenas de páginas de um processo contra Ghislaine Maxwell, ex-namorada e cúmplice de Epstein. Entre os documentos, estava o depoimento de Johanna Sjoberg, uma das vítimas, que revelou interações entre Epstein e o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew, do Reino Unido — que negam envolvimento nos crimes.
Em janeiro deste ano, mais de 3,5 milhões de arquivos ligados ao caso Epstein, reunindo denúncias, imagens, vídeos e trocas de e-mails relacionados à investigação, foram divulgados. As páginas foram tornadas públicas pelo Departamento de Justiça em cumprimento à Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, aprovada no final de 2025.
Bill Gates foi um dos citados nas milhares de páginas. Os documentos indicam que Gates e Epstein se encontraram repetidas vezes após o período de prisão de Epstein para discutir a ampliação dos esforços filantrópicos do fundador da Microsoft. Os arquivos também incluem fotos de Gates posando com mulheres cujos rostos aparecem borrados.
Em fevereiro, Gates falou publicamente sobre seus laços com Epstein em entrevista à "9News", da Austrália. Ele afirmou que suas interações se limitavam a jantares e que ele não visitou a chamada "Ilha de Epstein", no Caribe, que funcionou como base para a rede de tráfico sexual e abuso de menores liderada pelo financista entre 1998 e 2019.
Na mesma época, Gates admitiu, em uma reunião pública, ter tido dois casos extraconjugais com mulheres russas, descobertos por Epstein posteriormente. Apesar da conduta, ele garantiu não ter feito ou visto "nada de ilícito" e afirmou ter se arrependido de "cada minuto" que passou ao lado do financista.
Gates está agendado para depor perante o Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara, que está à frente da investigação sobre o caso Epstein, em 10 de junho. Além dele, foram convocados o ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e a ex-procuradora-geral Pam Bondi.









