EUA sancionam autoridades iranianas por repressão a protestos e dizem rastrear recursos do regime
Tesouro americano amplia pressão sobre Teerã, acusa líderes de transferirem dinheiro para o exterior e reafirma apoio aos manifestantes iranianos


SBT News
com informações da Reuters
Os Estados Unidos impuseram nesta quinta-feira (15) sanções a cinco autoridades iranianas acusadas de liderar a repressão aos protestos no país e informaram que estão rastreando recursos de dirigentes do regime transferidos para bancos internacionais. A medida ocorre enquanto o presidente Donald Trump mantém a estratégia de pressão máxima sobre Teerã.
Em comunicado, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que sancionou o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, além de integrantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e comandantes das forças policiais, apontados como arquitetos da repressão aos atos.
Os EUA também aplicaram sanções à prisão de Fardis. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, mulheres detidas na unidade “sofreram tratamento cruel, desumano e degradante”.
Em vídeo divulgado nesta quinta-feira(15), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que Washington tem monitorado a movimentação financeira de líderes iranianos. “O Tesouro dos EUA sabe que, como ratos em um navio que está afundando, vocês estão transferindo freneticamente fundos roubados das famílias iranianas para bancos e instituições financeiras em todo o mundo. Fiquem tranquilos: nós os rastrearemos”, disse.
“Mas ainda há tempo. Como disse o presidente Trump, acabem com a violência e apoiem o povo do Irã”, acrescentou.
A missão do Irã na Organização das Nações Unidas, em Nova York, não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. Autoridades iranianas têm acusado inimigos históricos — os Estados Unidos e Israel — de fomentar a violência no país.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o governo tenta resolver problemas econômicos que deram origem aos protestos, citando o combate à corrupção e ajustes nas taxas de câmbio para melhorar o poder de compra da população mais pobre.
As manifestações começaram após aumentos de preços e evoluíram para um dos maiores desafios ao establishment clerical desde a Revolução Islâmica de 1979. O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirma ter registrado até agora 2.435 mortes de manifestantes e 153 de pessoas ligadas ao governo.
Trump tem ameaçado repetidamente intervir em favor dos manifestantes desde o início da repressão nacional, em 28 de dezembro. “Os Estados Unidos apoiam firmemente o povo iraniano em seu apelo por liberdade e justiça”, disse Bessent. “O Tesouro usará todas as ferramentas para atingir os responsáveis pela opressão tirânica do regime.”
Além disso, o Tesouro anunciou sanções contra outras 18 pessoas acusadas de lavar recursos provenientes da venda de petróleo e petroquímicos iranianos para mercados estrangeiros, por meio de redes do chamado “sistema bancário paralelo” de instituições financeiras iranianas já sancionadas.
A ação é a mais recente desde que Trump retomou a campanha de “pressão máxima” contra o Irã, que inclui esforços para zerar as exportações de petróleo e impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear, acusação negada pelo governo iraniano.








