EUA apreendem novo petroleiro ligado à Venezuela às vésperas de reunião entre Trump e María Corina
Ação confirmada pelo Comando Sul ocorre antes de encontro entre presidente norte-americano e líder da oposição venezuelana


Reuters
Os Estados Unidos apreenderam mais um navio-tanque ligado à Venezuela, informaram autoridades americanas à Reuters nesta quinta-feira (15), pouco antes de uma reunião entre o presidente Donald Trump e a líder da oposição venezuelana María Corina Machado.
Com a operação, sobe para seis o número de embarcações alvo desde meados de dezembro por transportar — ou ter transportado anteriormente — petróleo venezuelano. Segundo autoridades que falaram sob condição de anonimato, a apreensão ocorreu no Caribe.
O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA confirmou a ação realizada antes do amanhecer e informou que o navio-tanque Veronica foi apreendido "sem incidentes". De acordo com o comando, a embarcação operava "em desafio à quarentena estabelecida pelo presidente Trump para navios sancionados no Caribe".
"O único petróleo que sairá da Venezuela será aquele coordenado de forma adequada e legal", afirmou o Comando Sul em comunicado.
O Aframax Veronica, de bandeira guianense, deixou águas venezuelanas vazio no início de janeiro, conforme documentos de transporte da estatal PDVSA e dados do serviço de monitoramento TankerTrackers.com. Diferentemente de outras embarcações nos últimos dias, o navio não retornou à Venezuela.
As apreensões integram a campanha do governo Trump para pressionar a saída do presidente venezuelano Nicolás Maduro do poder, movimento que culminou, segundo as autoridades americanas, com a operação que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa em 3 de janeiro.
Desde então, Trump declarou que os EUA pretendem controlar indefinidamente os recursos petrolíferos da Venezuela, com o objetivo de reconstruir a indústria do país em um plano estimado em US$ 100 bilhões.
EUA ampliam ofensiva contra frota ligada ao petróleo venezuelano
O governo americano apresentou pedidos judiciais para apreender dezenas de outros navios-tanque vinculados ao comércio de petróleo venezuelano, disseram quatro fontes à Reuters na quarta-feira, enquanto Washington consolida o controle sobre embarques que entram e saem do país sul-americano.
Segundo as autoridades, os navios interceptados estavam sujeitos a sanções dos EUA ou integravam uma "frota paralela" que disfarça a origem do petróleo de grandes produtores sancionados, como Irã, Rússia e a própria Venezuela.
A maioria das embarcações apreendidas até agora ostentava bandeiras falsas ou tinha registros cancelados antes das interceptações, de acordo com autoridades marítimas do Panamá, Ilhas Cook e Guiana.
Na semana passada, os EUA apreenderam um petroleiro de bandeira russa que vinha sendo acompanhado por um submarino russo após mais de duas semanas de perseguição pelo Atlântico. A medida foi condenada por Moscou.
A mais recente apreensão ocorreu às vésperas do encontro entre Trump e Machado — o primeiro presencial entre ambos desde a deposição de Maduro. Trump já classificou a opositora como "lutadora pela liberdade", mas descartou indicá-la para liderar a Venezuela, alegando falta de apoio interno suficiente.
Uma avaliação confidencial da CIA apresentada a Trump concluiu que lealistas de Maduro estariam em melhor posição para manter a estabilidade no país.








