Embaixada dos EUA no Brasil esclarece suspensão de vistos de imigração
Medida entra em vigor a partir de 21 de janeiro e engloba 75 países; turistas não serão afetados


Camila Stucaluc
A Embaixada dos Estados Unidos divulgou um comunicado, na quinta-feira (15), esclarecendo a decisão do governo norte-americano de suspender vistos para cidadãos de 75 países, incluindo do Brasil. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado no início da semana, está programada para entrar em vigor em 21 de janeiro.
Segundo a Embaixada, a regra se aplica apenas a vistos de imigração, isto é, quando o solicitante pretende morar nos Estados Unidos. Vistos de turismo, negócios e estudo seguem com processamento normal, já que não se enquadram na categoria de imigrante.
Os solicitantes ainda podem protocolar pedidos e comparecer às entrevistas, mas nenhum visto de imigrante será emitido durante o período de suspensão. A exceção é para cidadãos com dupla nacionalidade que apresentem passaporte válido de país fora da lista. Os vistos já emitidos não serão afetados pela diretriz.
No comunicado, a Embaixada afirmou que o objetivo do governo norte-americano é impedir que imigrantes utilizem benefícios assistenciais no país, o que acarreta num “custo” para o Estado. Conforme anunciado pelo Departamento de Estado, a suspensão de vistos ficará em vigor até o “governo ter a certeza de que imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano”.
“O presidente Donald Trump tem deixado claro que imigrantes devem ser financeiramente autossuficientes e não representar um fardo financeiro para os americanos. O Departamento de Estado está realizando uma revisão completa de todas as políticas, regulamentos e diretrizes para garantir que imigrantes desses países de alto risco não utilizem benefícios de programas de assistência social no país”, disse a Embaixada.
Além do Brasil, outros 74 países foram listados na diretriz. São eles:
- Afeganistão, Albânia, Argélia, Antígua e Barbuda, Armênia, Azerbaijão;
- Bahamas, Bangladesh, Barbados, Belarus, Belize, Bósnia, Butão;
- Cabo Verde, Camarões, Camboja, Cazaquistão, Colômbia, Costa do Marfim, Cuba;
- República Dominicana, Egito, Eritreia, Etiópia, Fiji, Gâmbia, Gana, Geórgia, Granada, Guatemala, Guiné;
- Haiti, Iêmen, Irã, Iraque, Jamaica, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Laos, Líbano, Libéria, Líbia, Macedônia do Norte, Marrocos, Mianmar, Moldávia, Mongólia, Montenegro;
- Nepal, Nicarágua, Nigéria, Paquistão, Quirguistão, República Democrática do Congo;
- República do Congo, Ruanda, Rússia, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Senegal, Serra Leoa, Síria, Somália, Sudão do Sul, Sudão;
- Tailândia, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Uruguai e Uzbequistão.
A medida é mais uma política anti-imigração do governo Trump. Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, o republicano reduziu drasticamente os compromissos do país com os requerentes de asilo e ampliou as regras para a detenção e deportação em massa de imigrantes ilegais.
Os esforços aumentaram no final de 2025, em resposta ao ataque a tiros próximo à Casa Branca, que matou um militar da Guarda Nacional e deixou outro ferido. O atirador, detido no local, foi identificado como Rahmanullah Lakanwal, um imigrante afegão em situação irregular no país. O mesmo ocorreu na Universidade Brown, onde um beneficiado pelo green card abriu fogo e matou dois estudantes.
Inicialmente, Trump havia proibido a entrada de cidadãos de 17 países, considerados de “alto risco” para a segurança nacional. Outras 22 nações receberam restrições parciais por não possuírem autoridades competentes para verificação dos vistos. Ao mesmo tempo, elevou para US$ 3 mil o valor pago a imigrantes em situação irregular que optarem por deixar voluntariamente os Estados Unidos.
Em contrapartida, o presidente norte-americano apresentou o programa ‘Gold Card’, que concede vistos de residência permanentes a estrangeiros que pagarem US$ 1 milhão. A iniciativa também oferece uma opção “corporativa”, para funcionários patrocinados, pelo dobro do valor. Ao justificar o programa, alegou que o objetivo é arrecadar fundos para reduzir o déficit nas contas públicas e investir em melhorias no país.









