Mundo

Eixo da Resistência: Entenda a aliança de grupos no Oriente Médio para tentar fazer frente a Israel

Irã respondeu às mortes de líderes do Hamas e Hazbollah e lançou mísseis balísticos no território de Israel na terça-feira (1º)

M
Avatar de Giovanna Colossi
Murillo Otavio, Giovanna Colossi
Israel liberta 90 prisioneiros palestinos como parte do acordo de cessar-fogo com o Hamas| AP Photo/Fatima Shbair

Israel liberta 90 prisioneiros palestinos como parte do acordo de cessar-fogo com o Hamas| AP Photo/Fatima Shbair

O Irã lançou ao menos 150 mísseis balísticos no território de Israel na terça-feira (1), aumentando ainda mais a tensão no Oriente Médio. Entre os possíveis alvos estão três bases aéreas israelenses e uma base de inteligência localizada ao norte de Tel Aviv e Jerusalém Ocidental.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O ataque foi uma retaliação contra os recentes bombardeios e explosões que Israel vem promovendo no Líbano e na Faixa de Gaza, regiões onde estão localizados os grupos Hezbollah e Hamas. Ambos fazem parte do que é conhecido como 'Eixo da Resistência', uma aliança política e militar formada por grupos que se opõem à presença e à influência ocidental, em especial dos Estados Unidos e de Israel, no Oriente Médio. A morte de importantes líderes desses grupos, como Hassan Nasrallah, do Hezbollah, motivou a investida.

Desde o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023, a relação entre os grupos ficou ainda mais evidente, especialmente na forma como estão se ajudando e coordenando ações para deter Tel Aviv, que é militarmente mais poderoso.

Entenda mais sobre os grupos e como eles têm se ajudado:

Mísseis iranianos são interceptados perto de Jerusalém e Tel Aviv | Reprodução/AP
Mísseis iranianos são interceptados perto de Jerusalém e Tel Aviv | Reprodução/AP

Irã

O Irã é a principal potência por trás do Eixo da Resistência, sendo o maior financiador e coordenador das atividades dos grupos aliados. A República Islâmica do Irã, desde a Revolução de 1979, adotou uma postura antiocidental e anti-Israel, promovendo a ideologia da "resistência" a influências estrangeiras no Oriente Médio. Além disso, o Irã é um país majoritariamente xiita e busca expandir sua influência entre as comunidades xiitas da região.

O Irã fornece apoio militar, financeiro e logístico a grupos como o Hezbollah no Líbano, Hamas e Jihad Islâmica na Palestina, além dos Houthis no Iêmen. Também utiliza seu braço militar, a Força Quds (uma divisão de elite da Guarda Revolucionária Iraniana), para treinar e armar essas organizações, além de coordenar operações no campo de batalha.

Hezbollah (Líbano)

O Hezbollah (Partido de Deus) é um grupo xiita libanês que se formou em 1982 durante a guerra civil libanesa e como resposta à invasão israelense do Líbano. Ele foi fundado com apoio direto do Irã e desde então mantém uma relação muito próxima com Teerã, recebendo treinamento, armas e financiamento.

O grupo se opõe fortemente à presença israelense no sul do Líbano e às políticas israelenses na região em geral. Embora tenha começado como uma organização militante, se tornou um ator político central no Líbano, com significativa influência no governo e das forças armadas libanesas.

O Hezbollah começou a realizar ataques de foguetes contra o norte de Israel logo após o início dos confrontos entre o Hamas e Israel, em outubro de 2023. A ideia do grupo parece ser abrir uma "segunda frente" de batalha no norte, distraindo as forças israelenses e as obrigando a dividir a atenção entre Gaza e a fronteira libanesa.

Hamas (Palestina)

O Hamas é um movimento palestino sunita que surgiu em 1987, durante a Primeira Intifada, como um braço da Irmandade Muçulmana. Embora seja um movimento sunita, o Hamas se aliou ao Irã por causa de seu objetivo comum de combater Israel.

O grupo busca a criação de um estado islâmico palestino na totalidade do território histórico da Palestina. Além de sua ala militar, as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, o Hamas também tem uma ala política e realiza programas sociais nos territórios palestinos, especialmente na Faixa de Gaza, que está sob seu controle desde 2007.

Embora a relação entre o Hamas e o Irã tenha se enfraquecido por um período devido ao apoio do grupo à oposição sunita na guerra civil síria, essa parceria foi restabelecida nos últimos anos. O Irã fornece armamentos, tecnologia de foguetes e financiamento ao Hamas.

Jihad Islâmica Palestina (Palestina)

A Jihad Islâmica Palestina (PIJ) é um grupo militante sunita que, como o Hamas, busca a "libertação" da Palestina. Surgiu na década de 1980, também como uma resposta à ocupação israelense.

O PIJ é menor em termos de membros e influência política em comparação com o Hamas, mas é uma força importante em Gaza e na Cisjordânia. A organização não participa do processo político palestino, ao contrário do Hamas, e se concentra exclusivamente na luta armada e frequentemente coordena ataques com o Hamas.

Síria (Governo de Bashar al-Assad)

A Síria sob o regime de Bashar al-Assad faz parte do Eixo da Resistência devido à sua aliança estratégica com o Irã e o Hezbollah. Desde a guerra civil síria, essa relação se aprofundou, já que o Irã e o Hezbollah desempenharam um papel crucial na defesa do governo de Assad contra forças rebeldes.

Além disso, a sobrevivência do regime de Assad é vital para a continuidade do Eixo da Resistência, já que a Síria funciona como um corredor logístico e geopolítico entre o Irã e o Hezbollah no Líbano. É a partir da Síria que acontece a transferência de armas iranianas para o Hezbollah. Além disso, o país mantém uma posição estratégica nas frentes de batalha contra Israel.

Houthis (Iêmen)

Os Houthis são uma milícia xiita baseada no norte do Iêmen. O grupo se tornou amplamente conhecido durante a guerra civil iemenita, que começou em 2015, e mantém uma feroz oposição à Arábia Saudita e à coalizão apoiada pelo Ocidente.

Embora estejam distantes geograficamente, os Houthis expressaram seu apoio ao Hamas e têm atacado navios ligados a interesses ocidentais e israelenses no Mar Vermelho. Esse tipo de ação é uma forma indireta de pressionar Israel e aliados de Israel, além de ajudar a dividir a atenção militar de Israel para outras regiões.

Ataque do Hamas elevou o patamar dos conflitos

O conflito no Oriente Médio atingiu patamares elevados após o Hamas invadir e sequestrar diversos israelenses, em outubro do ano passado. A fim de retomar territórios ocupados ilegalmente, o grupo extremista sequestrou diversas pessoas no território para usar como moeda de troca. O grupo publicou nas redes sociais um vídeo mostrando as pessoas detidas. Segundo as Forças Armadas israelenses, o ataque surpresa foi orquestrado a partir da infiltração de homens "terroristas" armados em cidades israelenses com disparo de vários foguetes, que foram disparados a partir da Faixa de Gaza. Este é considerado um dos maiores ataques sofridos no país nos últimos anos. Com isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou guerra contra o Hamas e passou a atacar constantemente a Faixa de Gaza, na Palestina. Desde então, os bombardeios israelenses já mataram mais de 40 mil pessoas e o número de feridos se aproxima de 100 mil.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Escola em tempo integral ajuda a reduzir crime, diz pesquisa

Escola em tempo integral ajuda a reduzir crime, diz pesquisa

Imagem da notícia:  Justiça autoriza transferência de Élcio Queiroz para o Rio

Justiça autoriza transferência de Élcio Queiroz para o Rio

Imagem da notícia: Mega-Sena: prêmio pode chegar a R$ 38 milhões amanhã

Mega-Sena: prêmio pode chegar a R$ 38 milhões amanhã

Imagem da notícia: Coreanos saboreiam carne de cachorro antes de proibição

Coreanos saboreiam carne de cachorro antes de proibição

Imagem da notícia: Escola em tempo integral ajuda a reduzir crime, diz pesquisa

Escola em tempo integral ajuda a reduzir crime, diz pesquisa

Imagem da notícia:  Justiça autoriza transferência de Élcio Queiroz para o Rio

Justiça autoriza transferência de Élcio Queiroz para o Rio

Imagem da notícia: Mega-Sena: prêmio pode chegar a R$ 38 milhões amanhã

Mega-Sena: prêmio pode chegar a R$ 38 milhões amanhã

Imagem da notícia: Coreanos saboreiam carne de cachorro antes de proibição

Coreanos saboreiam carne de cachorro antes de proibição

Últimas notícias

Policial civil teria agredido jovem levado em falsa viatura

Suspeito teve prisão decretada pela Justiça de São Paulo e está foragido; vítima segue desaparecida há quatro dias

Prédio desaba em São Bernardo (SP) e deixa vítimas

Sete pessoas ficaram feridas; causas do desabamento ainda são apuradas

Romário deixa o PL e anuncia apoio a Eduardo Paes no Rio

Senador formalizou saída do partido na sexta-feira, após cinco anos na legenda

Propaganda eleitoral começa amanhã com regras para IA

Candidatos poderão pedir votos, fazer comícios e usar inteligência artificial, mas terão que seguir regras específicas durante a campanha

Terremoto deixa mais de 40 mortos na Indonésia

Magnitude chegou a 7,7 na escala Richter; equipes trabalham em busca de sobrevivente

Glossário Eleitoral: entenda o que é eleição 'majoritária'

Saiba como funciona cada sistema de votação e quais cargos são definidos pelo voto majoritário e pelo proporcional