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Ebola: dois meses após alerta da OMS, casos seguem avançando

Doença já provocou 719 mortes na RD do Congo e continua se espalhando; número real de infectados pode ser maior do que o registrado oficialmente

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Naiara Ribeiro, com informações da Reuters
16/07/2026, 16:38 • Atualizado em 16/07/2026, 16:38
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Ebola | Reprodução Reuters

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Faz dois meses que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou um surto de ebola na República Democrática do Congo. Desde então, o país passou de 13 casos confirmados para 1.963 infecções e 719 mortes. Segundo autoridades de saúde, a doença ainda avança sem sinais de estabilização.

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Quando a OMS anunciou apoio ao país, em 15 de maio, apenas 13 casos haviam sido confirmados em laboratório. Dois meses depois, o atual surto já é o maior provocado pela variante Bundibugyo, para a qual ainda não existe tratamento ou cura comprovados.

A preocupação vai além dos números oficiais. No início de julho, a representante da OMS na República Democrática do Congo, Anne Ancia, afirmou que a doença continua se espalhando e que a dimensão real do surto pode ser maior do que a registrada até agora.

O ebola é uma doença grave que pode causar febre, dores no corpo, vômitos e diarreia. O vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, objetos contaminados ou corpos de vítimas da doença.

Para tentar frear o avanço da doença, a OMS enviou equipes e suprimentos para a província de Ituri, no leste do país. Uganda também reforçou a fiscalização nas fronteiras depois de confirmar um caso importado vindo da República Democrática do Congo.

Mesmo assim, controlar o surto continua sendo um desafio. Os conflitos armados dificultam o acesso das equipes de saúde a várias comunidades, enquanto o deslocamento constante de moradores contribui para a circulação do vírus.

Em maio, tendas de isolamento foram incendiadas e pacientes suspeitos conseguiram fugir de uma unidade de saúde. Os episódios aumentaram a preocupação das autoridades, que também enfrentam resistência de parte da população em algumas regiões.

Pesquisadores também iniciaram um estudo para testar um tratamento experimental contra a variante Bundibugyo. O primeiro paciente entrou no ensaio clínico no começo de julho.

Este é o 17º surto de ebola registrado na República Democrática do Congo desde que o vírus foi identificado, em 1976. Mesmo com o reforço das medidas de resposta, a OMS afirma que a doença ainda não se estabilizou e seguirá exigindo monitoramento constante nas próximas semanas.

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